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Mulheres no Transporte: Uma Estrada de Sucesso

08/03/2019

Mulheres no Transporte: Uma Estrada de Sucesso

Embora tenha sido oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas), somente em 1975, o dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher desde o final do século XIX e o início do século XX. Ainda que haja diferentes versões sobre a data, o objetivo é lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas e culturais. As jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos apresentados em suas reivindicações.

Fonte: Portal do ônibus

 

 

Texto: Dorival Nunes Bezerra

 

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Um marco para todas as mulheres e a Sambaíba dá destaque para esse dia especial

Atualmente, apesar de já ter alcançado algumas conquistas importantes, ela ainda enfrenta discriminação e preconceito em algumas áreas profissionais.  Apesar de haver muita especulação sobre o assunto, este dia fomenta uma reflexão sobre o papel e a condição de vida da mulher na sociedade. A data é celebrada em todo o mundo com o mesmo propósito. Por isso, mais do que flores e chocolates, é imprescindível que sejam desenvolvidas políticas e condições que contemplem suas necessidades em qualquer âmbito de atuação.

 

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Gaúcha e Geruza, operadoras do Circular Turismo de São Paulo recebem uniformes especiais para trabalha

Um dos pontos cruciais de suas pautas é o direito à igualdade de condições de trabalho e de direitos. E, por isso, num momento em que várias questões já estão sendo  (ou já foram) gradativamente superadas por elas, propor uma mudança aumentando o tempo de contribuição para que uma mulher se aposente, além de nefasto, chega a ser, desumano. Querer que uma mulher trabalhe o mesmo tempo que um homem,  sabendo que ela exerce dupla e, às vezes, tripla jornada dentro de uma sociedade que a cerceia em vários quesitos e cobra em muitos outros, torna-se uma afronta a todas as reivindicações alcançadas até o momento. Dessa forma, lutar para barrar a “Reforma da Previdência” (um grande engodo do governo federal que está investindo em publicidade para convencer trabalhadores e população em geral de que ela é necessária) para que sua situação não fique ainda pior em vários aspectos torna-se tarefa urgente e necessária (batalha essa que deve ser dada também pelos homens).

 

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Adesivar três ônibus rosa foi uma maneira que o diretor da empresa, César Fonseca, encontrou para homenagear todas as mulheres

Posto isso, seguem abaixo relatos de mulheres que fazem parte do transporte e que atuam  em diversas áreas no setor. Muito mais que simples enredos narrativos, as histórias são demonstrações de superação e de conquistas obtidas, na maioria das vezes, à duras penas.  Além de evidenciarem as disparidades entre os gêneros, apontam a necessidade de um olhar diferenciado para questões imprescindíveis para sua condição social.  Seus relatos representam a voz de diversas mulheres das mais variadas camadas sociais e mostram suas potencialidades num universo que ainda as limita em alguns aspectos em virtude do papel social que lhe é imposto. E, apesar de todas as dificuldades, a mulher segue buscando e ganhando seu espaço, mostrando sua força e sua capacidade no desenvolvimento e conciliação de tarefas e/ou deveres. A equipe do Portal do Ônibus parabeniza a todas e agradece pela oportunidade de compartilhar a riqueza e as lições presentes em cada história.

Geuza da Silva

 

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Auxiliar de Limpeza
Norte Buss Transportes

 

Tem 48 anos, solteira, mãe de 4 filhos, natural de São Paulo. Tem o ensino Fundamental incompleto (parou na 6ª série). Sua mãe era empregada doméstica e apesar de ter estudado apenas até a 6ª série, sempre foi trabalhadora e muito batalhadora para criar os filhos. Ela não conheceu o pai. Está na NorteBuss registrada como cobradora, mas como a empresa não tem mais esta função, ela foi reaproveitada no setor de serviços gerais para que não a demitissem.

 

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Geuza em sua casa após um dia de trabalho

 

Já trabalhou como empregada doméstica e na reciclagem, dois anos em cada atividade. Sua inspiração profissional veio da mãe por ela ser muito lutadora e ter conseguido criar os filhos, sozinha. Antes de trabalhar na empresa de ônibus, ela disse ter trabalhado numa lanchonete próxima e acabou se “envolvendo com os meninos” que a trouxeram e a apresentaram na empresa. Não encontrou dificuldade para entrar na profissão e na sua função atual, hoje, também não enfrenta problemas para desenvolver, mas quando cobradora, disse que não gostava muito porque “tinha um povo que andava de ônibus que pelo amor de Deus!” Em relação à conciliação das tarefas domésticas e o trabalho ela acha complicado, mas disse que precisa se dar um jeito: tem que fazer um pouco em casa, um  pouco no serviço. É muito cansativo. Afirmou que está um pouco melhor hoje, porque só tem uma menor de idade e o restante dos filhos já trabalham.

 

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A cada viagem dos veículos da linha 172P (Vila Zilda / Metrô Belém), Geuza faz a limpeza interna dos veículos

 

Ao ser perguntado se ela mudaria de profissão, se pudesse, ela declarou que não,  pois só sabe fazer o que faz. Para melhorar a condição de vida da mulher ela disse que a “mulher tem que correr atrás” do que quiser mudar. Sobre o dia Internacional da Mulher comentou: “O dia da Mulher eu acho “mara” não vejo a hora dele chegar – e completou, emocionada: neste dia eu ganho abraço dos meus filhos, do meu marido, só não tenho minha mãe pra me abraçar. Minha mãe era tudo pra mim. Sua luta me ensinou tudo”. Quando se perguntou se gostaria de nascer mulher se nascesse de novo, ela afirmou que sim, “pois mulher é tudo, é batalhadora, pode ser o que for, até ****, mas é mulher”, concluiu. Se pudesse voltar no tempo disse que gostaria apenas de estudar,  porque sente a falta que o estudo faz na sua vida.

 

Mara Lúcia Lentini Nunes de Freitas

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Lider de Limpeza
TRANSPPASS - Transporte de Passageiros

 

Casada há 15 anos, tem 40 anos, mãe de 4 filhos, natural de Londrina, Paraná. Tem o Ensino Médio completo. Sua mãe era dona de casa e seu pai, motorista de ônibus. Ambos estudaram até a 4ª série primária. Atua, na Transppass,  como líder de limpeza há 1 ano. Antes atuava como serviços gerais e limpava os ônibus. Fora da área do transporte já trabalhou na secretaria de uma escola como Oficial, como Operadora de Caixa e também em logística. Sua inspiração para o trabalho vem a partir dos filhos. Como todas as outras mães, faz qualquer coisa por eles. Ela declarou ter sido contemplada pela empresa por exercer hoje sua atividade. Num período, cobriu férias de outra encarregada e a empresa gostou de serviço e deu-lhe uma promoção.

 

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Mara com seu marido, filha e neto

 

No desenvolvimento de sua profissão considera mais complicado “lidar e entender  as pessoas e suas individualidades”. Em relação a sua atividade profissional, declarou que nunca tinha se visto trabalhando na Transppass, por ser uma empresa de ônibus e porque eles só davam chance para cobradoras. Ela sentiu certo preconceito por ser mulher, pois acha que numa empresa de ônibus só quem “cresce” são os homens. Disse que os homens sempre têm mais oportunidades. Em relação a conciliar tarefas de casa e trabalho, ela afirmou ser tudo muito complicado. Ela levanta cedo para organizar um monte de coisa antes de sair. Disse ter uma filha que a ajuda, senão seria muito pior a correria. Ao ser perguntado se ela mudaria de profissão se quisesse e pudesse,  ela afirmou que não mudaria porque, apesar de tudo, gosta do que faz.

 

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Família de Mara reunida em um jantar fora de casa

 

Para melhorar a condição de vida da mulher na sociedade ela pensa que deveria haver um maior combate ao machismo, pois acha isso ainda é muito forte. Sobre o dia Internacional da Mulher ela comentou; “Dia da mulher é todo dia, porque ela é mãe, é avó, é esposa, é namorada, é a base de muita coisa na vida de um homem. Se ela não for sábia, um homem ou uma casa não vai pra frente.” Quando se perguntou se gostaria de nascer novamente, caso tivesse a chance, ela afirmou que sim, pois acha a mulher muito mais amorosa, mais cuidadosa, mais dinâmica, mais ágil pra pensar e tomar decisões. Se pudesse voltar no tempo ela só mudaria o fato de ter estudado, gostaria de ter cursado uma faculdade, coisa que ainda não conseguiu, mas não descartou a possibilidade.

Alessandra Almeida Santos Silva

 

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½ Oficial de Pintura
MobiBrasil Transportes Diadema

 

Tem 43 anos, separada,  2 filhos, natural de Alagoas. Tem o Ensino Fundamental completo. Já atuou como ajudante geral por aproximadamente 7 anos e atualmente é meio oficial de pintura, há 7 anos, na Mobibrasil, embora tenha tido a oportunidade de trabalhar com a pintura primeiro em outra empresa de ônibus. O gosto pela pintura veio a partir da profissão do pai. Ele pintava casas e ela foi aprendendo a gostar de ver aquilo, entretanto iniciou usando a técnica do pai, mas adaptada para carros. Quando fez num carro amou e teve certeza de que era aquilo que queria fazer profissionalmente. Hoje pinta ônibus. No desenvolvimento de sua profissão, acha que o mais complicado é a massa, porque é muito pesado pra uma mulher. No início da atividade, enfrentou certo preconceito por parte dos homens, porque disse que eles deixavam o carro, mas ela percebia “o medo” só pelo fato de saber que seria pintado por uma mulher. Hoje que todos já a conhecem e também apreciam seu trabalho, não enfrenta mais esta dificuldade (pelo menos, não como antes).

 

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Em relação à conciliação do trabalho com as tarefas domésticas, ela disse que não enfrenta problemas e que consegue dar conta, porque ajeita uma parte das coisas de manhã e a filha, quando chega à tarde, finaliza, ou faz outras que precisam ser feitas. Então esta parceria delas, acaba ajudando ambas. Declarou que mesmo se pudesse e quisesse mudar de profissão, não faria isso,  porque gosta muito de pintar e não trocaria por nada. Em relação ao que poderia ser feito para melhorar condição de vida da mulher na sociedade, ela acha que o combate ao preconceito deve ser cada vez mais forte, principalmente ao preconceito profissional.

 

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Ao ser perguntado sobre o dia Internacional da Mulher se,  pronunciou da seguinte maneira:“Acho que o dia da mulher tinha que ser todo dia. Tinha que ser feriado e bem comemorado, pois a mulher merece, por tudo o que ela faz,” Disse que se tivesse que nascer de novo, nasceria mulher, uma vez que considera maravilhoso o fato de poder ser mãe.  Ao ser perguntado se mudaria alguma coisa se pudesse voltar no tempo, declarou que só queria aprender as coisas mais rapidamente, ter mais habilidades pra fazer tudo com mais precisão e rapidez, queria mais agilidade ao fazer as coisas, porém sendo a mesma mulher e enfrentando os mesmos obstáculos que enfrentou para ser a pessoa que é hoje.

Sandra Teles de Souza

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Assistente Administrativo (Setor Mecânica)
TransWolff Transportes e Turismo

 

Solteira, 41 anos, mãe de 2 filhos, é natural de São Paulo. Está cursando o 5º. semestre de Direito (algo que sempre quis, - apesar de hoje ser apaixonada pela área do transporte -, porém não tinha dinheiro para pagar e o coletivo lhe trouxe esta oportunidade, o que vê de forma positiva, porque não dependerá de sua formação acadêmica necessariamente para sobreviver) e atualmente trabalha na Transwolff como assistente administrativa (foi motorista de ônibus por 5 anos). Faz atendimento dos veículos, a partir de uma triagem inicial, transforma a linguagem registrada na ficha pra uma linguagem mais técnica, orienta, passa serviço pro mecânico, pro encarregado.

 

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Sandra com a família (filhos e neto)

É filha de pai aposentado (com ensino fundamental completo), mas que quase se tornou Engenheiro Químico dentro da empresa onde trabalhava pelas oportunidades que lhe foram dadas e não se exigia tanta instrução e a mãe é e sempre foi dona de casa que não foi à escola, mas aprendeu a ler e a escrever em casa com a mãe (avó de Sandra) que era professora. Depois, já aqui na capital, fez o EJA e concluiu o ensino fundamental. Os pais estiveram sempre muito presentes na educação e na vida dos filhos. Ela disse que vem de uma família tradicional e conservadora e não teve apoio de ninguém e por isso foi meio que desbravando os territórios quando decidiu dirigir um ônibus. Disse ter escutado por muito tempo do pai que não deveria dirigir um coletivo e que ele pedia-lhe para deixar tal função. Apesar de ouvir estes comentários do pai, ela acha que herdou da avó este lado independente, autônomo, do enfrentar a dificuldade e seguir.

 

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Em seu trabalho, Sandra recebe as informações passada pelos motorista e transforma em liguagem técnica aos repassar para os mecânicos

Sandra declarou que não costuma guardar falas que não lhe acrescentem nada, portanto, tem facilidade pra deletar tudo o que não lhe convém e segue em frente com suas tarefas e gostos no trabalho. Afirmou também, que está nesta profissão atual por uma contemplação das circunstâncias: “Para desenvolver esta função, eu fui contemplada pelo presidente da empresa. Como disse antes, eu trabalhava na rua com o coletivo e fica difícil associar a direção do coletivo numa cidade como São Paulo e conseguir conciliar horários para cursar uma faculdade. Além da questão do horário pesar muito,  pois tudo acontece na rua e não há como prever, a sua capacidade mental também fica muito desgastada e eu tenho 2 filhos e um neto ainda, então, não tinha tempo para isso. Aí um dia, numa conversa indireta, o presidente ficou sabendo e me propôs trabalhar dentro da empresa, contanto que eu me matriculasse e isso pra mim foi uma bênção, foi a coisa melhor que aconteceu” –  contou ela.

 

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Sandra participando de palestra na faculdade

 

Diz que uma das coisas complicadas atualmente na sua profissão é o motorista ou algum profissional novo dizer-lhe, sem rodeios, qual o problema que o veículo apresenta com medo que ela não vá entender. No entanto, quando ela começa a falar o nome das peças, eles percebem que podem ser mais diretos. Outro ponto que merece destaque neste quesito é uma questão de natureza humana: a força do homem. Tem coisas que ela diz fazer, mas que sabe que em dado momento, precisará de um homem pela sua condição natural (uso da força para pegar peça muito pesada, por exemplo) e que ela sabe lidar muito bem com isso.

 

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Sandra é a única mulher que trabalha no setor da mecânica

 

Apesar de ser sempre a única mulher no desenvolvimento inicial de alguma tarefa desde que chegou à empresa, disse que nunca sofreu nenhuma retaliação por isso. Afirmou que sempre foi muito bem respeitada, talvez, porque sempre respeitou a todos também. Quando lhe perguntamos se mudaria hoje de profissão, disse que gostaria de ser doutora em Direito e exercer a função. Mesmo assim, se sente feliz em poder estar no transporte já que “esta área requer “Direito” em tudo, desde a saída do veículo até a finalização da viagem, quer sobre a responsabilidade com passageiro, com motorista, o cuidado com a documentação, enfim, o Direito está  ligado a tudo”, disse ela.

 

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Sandra com o pai e filha

 

Quanto à melhoria da condição da mulher na sociedade, ela acha que ainda falta equilíbrio e muita consciência de todas as partes. Pensa que as funções profissionais são relativas e que as tarefas podem ser exercidas por homens ou mulheres e que é o querer fazer, o gostar, o respeitar que dará à mulher condição de ser o que quiser, profissionalmente. Quanto ao dia da mulher, considera muito bom um dia especial para ser lembrada e se nascesse de novo, queria ser mulher novamente, porque só sendo mulher para entender o dom de gerar uma vida. Ela declarou que só por isso já é maravilhoso “ser mulher”. Se pudesse voltar no tempo, mudaria apenas o tempo de se fazer as coisas. Disse não se arrepender de ter os filhos, mas que teria se preparado melhor para recebê-los assim como teria conciliado melhor trabalho e estudo. Apesar disso,  acha que conseguiu fazer tudo ao que se propôs, embora acredite que se tivesse sido preparado, teria sido melhor.

 

Cibele Dias Maia

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Almoxarife
MobiBrasil Transportes São Paulo

Solteira, tem 38 anos, não tem filhos, natural de Recife, Pernambuco. Tem o Ensino Médio completo. Trabalha no almoxarife, Na Mobibrasil, há quase 5 anos. Antes, era Auxiliar de Limpeza, Disse não ter sido influenciada por ninguém da família para desenvolver a atual função. Aconteceu circunstancialmente. Acha que a dificuldade que enfrenta no desenvolvimento de sua função é “os coleguinhas lá fora”, pois, às vezes, eles não querem cumprir as normas da empresa. Segundo ela, não enfrentou nenhum problema por ser mulher e adentrar para esta área.

 

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Em relação às tarefas domésticas e o trabalho disse também não ter dificuldade em conciliar, pois se organiza e acaba encontrando tempo pra ambos. Ao ser perguntado se mudaria de profissão se pudesse, ela afirmou que sim. Gostaria de ser Auxiliar de Veterinária. Acredita que para melhorar a condição de vida da mulher na sociedade deve haver, intensamente, o combate ao preconceito.

 

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Em relação ao dia Internacional da Mulher, comentou: “Este é um dia excelente, porque a partir do incêndio naquela fábrica, apesar de algumas mulheres terem morrido lá, elas garantiram, pra nós, algumas conquistas e valorização que antes a gente não tinha. Ele vem a acrescentar, fazendo a gente pensar. Muitas mulheres ainda são maltratadas, a violência contra mulher ainda é muita, mas isso vem diminuindo”. Ela declarou que se nascesse de novo, gostaria de ser mulher, pois não se enxerga como homem em nenhuma hipótese.  Se pudesse voltar no tempo, alegou que não mudaria e que faria tudo de novo.

 

Geruza Pires de Moura Silva

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Cobradora
Sambaíba Transportes Urbanos

 

Natural de São Paulo, mãe de 4 filhos, namora e tem 44 anos. Filha de pais baianos, pai (falecido quando ela tinha 16 anos) mestre de padaria, profissão em excelência na época e mãe costureira, hoje aposentada e morando em Taubaté. Está cursando Serviço Social atualmente (termina o curso no final do ano), curso escolhido a partir do “olhar as pessoas” de modo mais humano e de forma diferente no seu trabalho e das circunstâncias pelas quais já passou em hospitais, com familiares, por exemplo. É cobradora há 12 anos. Sua inspiração vem sempre de sua mãe, mulher cristã, de muita comunhão com Deus e muito forte. Ela disse que a palavra que define sua mãe é “resiliente”.

 

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Geruza com seus filhos

Em relação a ser cobradora, declarou que nunca se imaginou fazendo isso. “Quando eu me vi sentada ali, na 1ª vez, eu ficava olhando pro ônibus e me perguntando: Meu Deus!!!, o que estou fazendo aqui? E ria de mim mesma, meio que deslumbrada com tudo aquilo. Eu chegava a tocar nas coisas do ônibus pra acreditar que era tudo verdade. Olhava as pessoas e suas posturas, enfim. Estranhei tudo dali. Descobri que havia uma linguagem específica pra comunicação dentro desta categoria que não se limitava somente à fala e sim a gestos, faróis, puxada de freio de mão, que depois entendi que era um cumprimento, até o jeito da buzina “falava alguma coisa” e eu ficava encantada com toda aquela novidade (risos). Do lado de fora, isto é, quando eu não trabalhava no setor, eu achava que ônibus era um lugar onde as pessoa entravam e saíam e só.

 

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Geruza em passeio no Parque do Ibirapuera com a família e namorado

 

Mas, como cobradora e dentro da garagem, eu descobri que há uma organização muito grande, uma estrutura com diversas funções e todas com suas responsabilidades e que a administração da garagem lida com várias categorias no mesmo espaço, eu fiquei extasiada com esta descoberta e decidi que era ali que queria ficar. Antes eu  era balconista de padaria, depois de pizzaria, tentei ser entregadora de pizza – entregava de bicicleta, aliás, entregava não, caía por ser de noite e eu não enxergar os buracos na rua (por conta do meu problema de visão) e aí não deu muito certo. Já vendi bolo na rua, sobremesa, salgado. Tudo o que precisei fazer pra garantir o sustento dos meus filhos, eu já fiz”, relatou. Hoje, ela pretende crescer para ter uma condição melhor salarial e também de função social, quer ser mais útil à sociedade, quer ser intermediária para ajudar na luta pelos direitos e o Serviço Social abre esta oportunidade. Também já pensou em fazer “Direito”, mas ainda não teve oportunidade financeira para tal. A ideia ainda não foi descartada e pretende, quem sabe a partir do exercício do Serviço Social, conseguir concretizá-la.

 

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Geruza com sua companheira de trabalho no dia-a-dia, a motorista Gaúcha

 

Enquanto cobradora, disse não ter tantas coisas que lhe desagradam no desenvolvimento de sua tarefa, pois ama o que faz e sendo assim, nada é difícil, mas algo que lhe chateia é trabalhar com motorista que não gosta do que faz, que não gosta de pessoas, que não gosta do trabalho, que reclama da empresa, que bate com tanta força no câmbio que parece que vai arrancar, essas coisas são o que ela considera dificuldade no trabalho. “Alguns motoristas acham que só porque você é mulher, tem que “facilitar algumas coisas ou ser extremamente conivente com outras, mesmo que não sejam certas, mas o pior é o que não gosta do que faz e não gosta de pessoas. Eu já pensei em pedir rendição por conta disso,” declarou.  Geruza disse não ter enfrentado dificuldade na profissão por ser mulher, mas enfrentou, segundo ela, por sua limitação física ocular em não perceber algumas coisas que para outros pareciam evidentes. Não chega a ser uma forma de preconceito, mas falta de compreensão. Ela disse que até que as pessoas entendam o que houve, elas pré-julgam e isso algumas vezes atrapalhou, confessa. Quando lhe foi perguntado sobre a organização do trabalho e da casa, ela afirmou (sem rodeios, de forma bem jocosa e rindo) que não se organiza. Disse que tudo depende de seu estado de espírito. Se ela estiver muito cansada e chegar em casa, dorme; pode ser, que ao acordar, faça alguma coisa, nada tão grandiosa; se estiver muito inspirada faz tudo num dia só. É bem relativo e depende do seu estado de espírito do dia. Já no trabalho é super organizada e prioriza todas as questões da rotina.

 

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Geruza com sobrinhos e filhos em um jantar

 

Ao ser perguntado se mudaria de profissão, se pudesse e quisesse, ela disse que está buscando novas alternativas,  uma vez que pretende “crescer na vida”, sobretudo, por sempre ser tempo de superar limites. Quanto à melhoria da condição da mulher na sociedade, acha que primeiro a mulher tem que se reconhecer como mulher pra se fazer respeitar e para ela mostrar, não só para outros, mas para si mesma que é capaz, que pode e não ver esta condição como um peso. Ela precisa entender que não precisa ser tão submissa. Empoderamento é a palavra para mulher atual. Quanto ao dia Internacional da Mulher  considera é uma conquista, não um ganho, é um marco, porque muitas mulheres morreram para hoje existir este dia. Foi um combate para se conseguir parte do que se tem hoje. Na verdade, ele veio por mérito, não pelo fato de serem mulheres, simplesmente. “O dia Internacional da Mulher precisa ser visto como um marco e nós, mulheres, precisamos valorizar sim, por tudo o que ele representa. Muitas mulheres lutaram para que tivéssemos hoje o que temos. Nós estamos usufruindo de tudo isso; elas, não. Elas não desfrutaram de nada disso. Elas morreram por isso, ou seja, pra que nós vivêssemos isso hoje. Então, precisamos refletir muito e levar isso para o futuro, para que outras também usufruam e percebam o valor destas conquistas”, dissertou.  Quando lhe foi perguntado se gostaria de nascer mulher de novo, se pudesse, ela disse que sim, só que muito mais inteligente e mais rica (risos). Ela se considera uma mulher muito forte e resiliente. Acha que mulheres são multifuncionais (realizam tarefas de casa, do trabalho e do estudo) e “fazem tudo no salto”. Ela se sente uma pessoa realizada como mulher por tudo o que já viveu, pela criação de seus filhos,  sem desvios de conduta e diz que faria tudo de novo, se precisasse.. Ao ser indagado, se mudaria algo se pudesse voltar no tempo, informou que a única coisa que mudaria é que estudaria mais cedo, que teria tentado antes, para aproveitar mais o tempo, não teria medo de enfrentar sua limitação quanto à visão. Não considera que hoje seja tarde para fazer ainda o que tem vontade, mas teria começado antes, apenas.

Glória Rodrigues de Oliveira

 

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Fiscal de Linha
Express Transportes Coletivo

Mãe de 2 filhos, casada há 4 anos, tem 34 anos, natural de Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo. Tem o Ensino Médio completo. Foi criada pela mãe que cuidou, sozinha, de 5 filhos. Atua profissionalmente como fiscal na Express. Está há 4 anos nesta função,  mas já foi cobradora por 3 anos. Outra profissão desenvolvida por ela foi a de açougueira, por 10 anos. Sua mãe sempre foi sua principal fonte de inspiração até por tudo que eles viveram durante as outras fases da vida. A mãe sempre lhe ensinou que se pode ser o que quiser, desde que se tenha vontade no desenvolvimento do potencial e se tiver fé em Deus.

 

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Glória com os filhos

 

Ela disse que está nesta profissão porque acha que tudo se escolhe (direta ou indiretamente) e quando a empresa capacita e dá ferramentas para o exercício sempre se é possível atingir o melhor de cada dia. Ela não encontra barreiras no desenvolvimento de sua atividade, pois acha que nada é complicado,  quando se faz com vontade e persistência. Citou a presidenta da empresa como um bom espelho. Também não enfrentou nenhuma dificuldade para entrar neste ramo por ser mulher. Com relação ao trabalho e organização da casa, ela afirmou não ter problemas visto que todos já se acostumaram com sua rotina. Ao ser perguntado se mudaria de profissão, se pudesse, declarou que gostaria de ser motorista, porque sempre é bom e é tempo de se crescer profissionalmente. Quando lhe perguntamos sobre o que poderia ser feito para melhorar a condição da mulher na sociedade, ela mencionou que o empoderamento e o apoio às suas ideias são fundamentais: “Acho que precisamos nos empoderar mais, nos apoiarmos mais e nunca abrirmos mão umas das outras e nem de nossos direitos conquistados com muita luta”,afirmou.

 

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Quanto ao dia Internacional da Mulher, ela acha que na verdade são os 365 dias do ano, em razão de  não esquecer que a mulher é mãe, é filha, é namorada, é esposa, é dona de casa, é funcionária, tem jornada dupla e que apesar de tudo ainda são fortes e enfrentam qualquer coisa, além de deixar sempre sua marca por onde passa. Se pudesse nascer de novo, ela disse querer nascer mulher novamente, porque admira a pessoa que é e se adora.  Ao lhe ser perguntado se mudaria algo se pudesse voltar no tempo, declarou que não mudaria nada, pois tudo o que é hoje foi a partir das consequências e de todo aprendizado das situações pelas quais passou.

 

Keila Sobrinho Teixeira

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Motorista Manobrista (Urbano)
MobiBrasil Transportes São Paulo

 

Tem 40 anos, divorciada, 2 filhos, natural de São Luís do Maranhão. Tem o Ensino Médio completo. Trabalhou como Auxiliar de Produção, durante 6 anos e hoje atua como motorista na Mobibrasil, há 1 ano e 6 meses. Sua inspiração veio principalmente de seu pai (que dirigia caminhão), embora ela sempre tenha achado muito bonito qualquer pessoa independente do sexo, “dirigir”, então, acabou ingressando na área. Começou como cobradora e vendo outras mulheres dirigindo, teve o desejo despertado de também fazer o mesmo e acabou se tornando uma por opção, visto que sempre achou bonito e também por ter desejado isso.

 

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Keila com os filhos e neta

No exercício de sua atividade considera mais difícil a questão do trânsito e também o fato de “lidar” com motoristas de carro pequeno. Ela ainda não dirige o veículo conduzindo passageiros, numa linha normal. Apenas presta socorro levando e trazendo veículos para troca,  depois de determinado problema mecânico ou de outra ordem. Keila disse não ter enfrentado dificuldade para entrar nesta área, por ser mulher. Acha sim que houve todo um processo e ela agradece muito à empresa por ter lhe dado esta oportunidade. Ela comentou que depois de um determinado período na empresa, surgiu esta vaga e que há todo um procedimento desde a inscrição na “escolinha de formação de motorista”.  e que são diversos itens e várias orientações como trocar carta, assistir aula teórica (como numa autoescola normal), depois vai pras aulas práticas e as provas. Este é o procedimento até a pessoa conseguir fechar o círculo, disse.

 

mulher 2019 28

 

Irmãs de Keila

Quanto à conciliação trabalho e rotina doméstica, ela declarou ser bem tranquilo, visto que seus filhos já são “grandes” (um de 23 e uma de 17). Disse não ter problema nem quando há reuniões na escola da caçula, porque a empresa autoriza saída ou chegada mais tarde em virtude deste compromisso escolar. Se pudesse e quisesse mudar de profissão hoje, afirmou que não mudaria, pois se sente realizada fazendo o que faz. Ao ser perguntado o que ela achava necessário mudar para melhorar a condição da mulher na sociedade, ela declarou que o preconceito deveria ser mais combatido. “O preconceito por ser mulher exercendo determinadas funções ainda é muito forte. Por exemplo, eu na rua. Se eu faço qualquer coisinha “errada”, tipo, esqueço uma seta, logo ouço “Ah porque é mulher, porque é burra, porque não sabe fazer”. Então acho que esta discriminação tinha que acabar”. – informou...

 

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Keila com a neta e sua mãe

Sobre o dia Internacional da Mulher, ela considera maravilhoso. “Acho que o dia da mulher maravilhoso e, por isso, nós deveríamos ter folga neste dia pra poder viver um dia de princesa (disse rindo). É um dia muito importante pra todas as mulheres, pois todo o mundo te olha de maneira diferente, ou seja, neste dia você é vista, como ser humano e como mulher!” Se pudesse nascer de novo, ela disse que seria novamente mulher por tudo o que ela é, por ser batalhadora, por ter força pra buscar e realizar os desejos, por ser mãe. Disse não se arrepender de ser mulher por nada que lhe tenha acontecido ao longo da vida, aliás, alegou que tudo o que passou lhe fortaleceu. Se pudesse voltar no tempo e recomeçar, comentou que só não teria casado tão cedo e teria estudado mais. No restante poderia ser do mesmo jeito.

Claudia Batista França

mulher 2019 09

 
Motorista Manobrista (Rodoviário)
Viação Itapemirim

Tem 46 anos, solteira, 2 filhos, natural de Jequitaí, Minas Gerais. É formada como técnica de Laboratório e atualmente está treinando para ser manobrista, na viação Itapemirim, onde trabalha há 6 meses. Antes de ser manobrista, trabalhava na cozinha e também atuou na área de laboratório em outros locais, por mais ou menos 10 anos. Filha de pai semialfabetizado e mãe analfabeta (condição que não impediu a mãe de ser guerreira e muito lutadora, e de servir de exemplo para a filha, segundo Claudia, já que ela perdeu o pai muito cedo e a mãe teve que cuidar de tudo sozinha. Deu o estudo que conseguiu a todos).  Sua inspiração para seguir a carreira como motorista, veio da própria família (pai e irmão), mas a força da luta, veio da mãe. Ela disse que o irmão (hoje aposentado) foi considerado o motorista mais jovem da CMTC na época. Claudia declarou que ama dirigir. É  habilitada há 19 anos e dirige há 22. Dirigir um ônibus é uma coisa recente, mas ela já dirigiu caminhão. Quando estava casada, viajava com o marido e, na estrada, quando ele estava cansado, ela revezava com ele e dirigia o caminhão.

 

mulher 2019 10

 

Para Claudia o ônibus mais fácil de manobrar e dirigir é o Double-Decker (Dois Andares)

Considera que o preconceito ainda é uma coisa que dificulta o desenvolvimento e a aceitação da mulher em determinados ramos, embora, afirmou ter sido muito bem acolhida na Itapemirim e não sofrer, tão intensamente,  nesta empresa, o reflexo do comentário. Revelou já ter enfrentado sim o preconceito, sobretudo porque ela “saiu da cozinha” e veio para o volante, então, as pessoas ficavam olhando, meio desconfiadas, como que se duvidassem de que ela seria capaz de movimentar o veículo, principalmente um DD (Double Decker – ônibus de dois andares). Ela disse que tem certa dificuldade com a conciliação do trabalho, mas que consegue fazer as tarefas domésticas, por tem uma filha com 10 anos que considera muito independente e um rapaz de 21. Quando chega do serviço vai cuidar de preparar a janta e verificar as outras coisas: roupas pra lavar e passar, casa pra limpar, mercado pra coisas de última hora e os cuidados com a sua filha. Ao ser perguntado se ela quisesse e pudesse mudar de profissão, assegurou que não mudaria, pois adora dirigir e está se realizando fazendo isso.

 

mulher 2019 53

Momento com seus filhos

 

Em relação à melhoria da condição da mulher na sociedade, ela acha que as mulheres precisam de mais oportunidades. “Eu acho que tem muita coisa ainda por se fazer, ainda que aos poucos algumas já estão sendo conseguidas. Mas a mulher pode fazer qualquer coisa que ela quiser. Ela é capaz de fazer tudo. Não no sentido de “tomar espaços de homens”, mas de ter as oportunidades para desenvolver todas as profissões que quiser. Tem muito ramo fechado ainda pra nós. E nós somos capazes de fazer, se derem a chance”, afirmou... Quanto ao dia Internacional da Mulher acha que há “controvérsias”. “Eu acho uma data importante para nós, mulheres, pensarmos e repensarmos sobre nossas condições de vida, sobre nossas lutas, nossas conquistas e tudo o que a gente sofre ainda na sociedade. Pra gente refletir que somos capazes e que basta batalhar pra se fazer principalmente o que gosta e aí o fardo fica mais leve.”

 

mulher 2019 52

 

Cláudia em sua segunda rotina em casa e com suas amigos de escola

Ao ser perguntado se nasceria mulher de novo se tivesse chance, ela disse que seria sim, apesar de todos os problemas que a mulher enfrenta na sociedade, já que a mulher tem o dom de dar a luz. Ela sempre quis ter filhos, teve gestação difícil, mas os filhos estão aí e não tem dádiva maior. Se ela pudesse voltar no tempo disse que a única coisa que mudaria era o fato de ter estudado mais e o restante manteria do mesmo jeito.

 

Rosana de Souza

mulher 2019 73

Motorista (Van - Atende +)
TransWolff Transportes e Turismo

 

Mãe de 4 filhos, divorciada, tem 42 anos, natural de Itajubá, Minas Gerais. Filha de mineiros que não tiveram oportunidade de estudar, porque tinham que trabalhar desde cedo para o sustento da casa. É motorista há 8 anos. Foi dona de casa por 10 anos, depois começou a estudar e a se profissionalizar e não pretende parar tão cedo. Daqui pra frente ela diz que abraçará todas as oportunidades de estudar que tiver (apesar das dificuldades do cotidiano). Hoje trabalha na TransWolff no transporte do serviço “ATENDE +”, algo do qual gosta muito, mas mesmo assim disse que continua estudando e se atualizando pois acha que conhecimento nunca é demais e é algo que ninguém pode roubar-lhe. A inspiração para dirigir veio a partir do irmão (era carreteiro), embora ela já trabalhasse na roça, quando mais jovem, dirigindo trator. Ela acabou gostando disso, depois foi instrutora de autoescola, foi gostando cada vez mais da atividade e acabou ficando definitivamente. É formada em Gestão Ambiental, também formada como Técnica de Segurança do Trabalho e em Recursos Humanos e declarou que deve isso aos seus pais que deram aos filhos as oportunidades que eles (pais) não tiveram (principalmente no quesito escola). Até o momento não teve oportunidade de atuar em nenhuma de suas áreas de formação acadêmica, embora continue batalhando e acreditando que acontecerá, porque no próprio “ATENDE”  ela disse que ninguém fica condicionado a uma mesma função, se buscar o aperfeiçoamento, os funcionários são “aproveitados” em outras áreas de atuação e é por isso que ela acredita que poderá, em breve,  exercer outras tarefas conforme sua formação.

 

mulher 2019 80

 

Afirmou que a dificuldade no desenvolvimento de sua função é o trânsito da cidade muito complicado, segundo ela. Assim como a maioria das mulheres também já sofreu assédio e preconceito no exercício da profissão. Declarou que quando dirigia ônibus e atualmente na van do ‘ATENDE’, não sentiu tanto, mas sofreu muito, quando dirigia caminhão. Acredita que hoje muito disso já foi superado e que a aceitação está mais tranquila, até porque sempre recebe elogios dos usuários do “ATENDE” no que se refere não só a sua atuação,  mas também à limpeza e à prestação deste serviço.  Em relação a sua organização de vida pessoal, costuma não misturar as coisas, ou seja, não traz problemas de casa para o serviço e nem leva os do serviço pra casa. Acha que esta é uma boa estratégia para não prejudicar o desenvolvimento das tarefas em nenhuma das partes. Ela diz que realiza as tarefas de casa com prazer, pois “com tanto exercício” nem precisa de academia (risadas) e que consegue conciliar tudo,  porque no “ATENDE” eles têm oportunidades de viajar, de ficar mais com a família e isso é muito bom para a mulher, visto que ajuda a administrar bem e melhor o tempo (sem desmerecer os homens ou outras profissões).

 

mulher 2019 79

Família completa reunida para um churrasco

 

Quando lhe foi perguntado sobre o que fazer para melhorar a condição de vida da mulher na sociedade, ela disse que o combate ao machismo e ao preconceito seriam boas atitudes: “O machismo e o preconceito dos homens são coisas que ainda dificultam a ascensão da mulher. Alguns deles acham que nós não somos capazes de quase nada, mas a mulher é um ser tão forte, que é capaz não só de gerar um filho, como ainda de fazer muita coisa por ele, que muitas vezes um homem sozinho não consegue fazer”, declarou. Ao ser indagado se mudaria de profissão se tivesse oportunidade, afirmou que sim, porém não por não gostar do que faz, mas porque investiu em estudos e gostaria de atuar numa das áreas. Sonha ainda em trabalhar como técnica de Segurança do Trabalho, por exemplo.

 

mulher 2019 78

 

Quanto ao dia Internacional da Mulher, acha uma data maravilhosa, porque a faz se sentir maravilhosa como todas as outras mulheres do mundo e que este dia deveria ser todos os dias já que a mulher é um ser especial. Se tivesse oportunidade de nascer de novo, queria ser mulher novamente, por tudo o que já disse anteriormente sobre a condição da mulher (dar a luz à uma criança que não é fácil, ser pai e mãe ao mesmo tempo, como muitas mulheres são por aí, pela mulher ser aguerrida, por enfrentar os desafios apensar de todas as dificuldades do sistema, enfim).  Se pudesse voltar no tempo e começar de novo, disse que mudaria parte do seu jeito de ser, porque se acha ansiosa, seria muito mais confiante, que adiaria o casamento pra um momento em que ela estivesse mais madura, visto que hoje entende que tudo aconteceu muito rapidamente em sua vida, embora não se arrependa de nada disso.

 

Maria Carvalho

mulher 2019 72

Motorista (Básico)
ETURSA - Empresa de Transporte Urbano e Rodoviário de Santo André

 

É separada, tem 56 anos, mãe de 3 filhos, é natural de Santo André, São Paulo. Tem o Ensino Médio completo. Filha de pais baianos que se conheceram e se casaram no estado de origem, mãe analfabeta e pai com estudo até a 4ª série primária. O casal teve 10 filhos (6 nasceram na Bahia) e passaram por muitas dificuldades. Trabalhavam na roça, ganhavam muito pouco para o sustento de uma família tão numerosa, então a fome teve uma marca constante em suas vidas. “Só quem já passou fome, sabe o que é isso. Meus pais eram pessoas muito direitas e não queriam passar vergonha na rua nem deixar a gente passar, então, todo nosso sofrimento era ali dentro da casa, pra nós. Mas mesmo assim, com dignidade, sempre cuidaram da gente do jeito que dava. Eles tiraram “da boca” deles pra dar pra gente. Depois de um tempo, vieram pra São Paulo. Eu sou uma das que nasceram aqui. Um dia, meu pai inventou de comprar um táxi e se envolveu em dívida e com uma “dona”. Sumia de casa e deixava a gente ali, ao léo, sem nada. Maria relata (muito emocionada) que tudo foi muito difícil. A gente dependia dele. Ele foi se perdendo “naquela vida” e as dívidas foram chegando e crescendo  e de novo a gente passou fome. Quantas vezes chegava da escola e não tinha nada em casa! Minha mãe chegou a ficar sem comer nada, pois não tinha e o que havia ela dava pra gente. Quando eu descobri isso,- eu já estudava- pegava a merenda na escola, mentia pra minha mãe que tinha comido lá e trazia pra ela, pra ela comer, porque eu sabia o quanto doía nela ver a gente naquela situação e sabia o quanto doía em mim, ver minha mãe com fome. Também fiquei com fome, pra ela comer. Mas a gente tinha fé que as coisas iam mudar, uma hora tinha que mudar. Aí a gente foi crescendo, começou a trabalhar e as coisas foram se ajeitando”, contou...

 

mulher 2019 82

Maria com sua filha

 

Atualmente é motorista de ônibus convencional na Etursa – Empresa de Transporte Urbano e Rodoviário Santo André. Desempenha esta função há 22 anos. Antes exerceu algumas outras funções: foi diarista (depois de ter ganhado um bebê e ter sido demitida da fábrica ao término da licença maternidade), foi vendedora de cosméticos, de joias, de roupas, e após a separação, ainda com filhos pequenos, por sugestão do pai, começou a trabalhar com ônibus. “Quando eu ainda era casada, à noite, eu levava a janta pro meu pai que trabalhava na viação Alpina, uma empresa muito conhecida aqui na cidade. Eu já tinha carta e o meu pai fazia o seguinte: Me dava o ônibus (sem que ninguém da empresa soubesse, óbvio) pra eu levar até o ponto final, então, eu treinava todos os dias. Quando me separei, meu pai disse que ia tentar me colocar na empresa como cobradora e eu não queria ser cobradora: queria ser motorista, só que época, não pegava mulher pra isso. Então, fui trabalhar em outras coisas. Quando eu soube que a empresa estava pegando mulher (vi num jornal), fui fazer o teste e passei porque eu já conhecia o ônibus, tinha intimidade com ele, já que dirigia escondido, no “treinamento” que meu pai me dava indiretamente.

 

mulher 2019 90

 

Maria e outra de suas grandes paixões

Entrei pro transporte, quando não era mais a Alpina, já era Nova Santo André. E de lá, fiquei, estou até hoje e sou grata a Deus por tudo o que passei e já tenho até hoje. Foi a força que Ele me deu que me trouxe até aqui”. Ela declarou que, apesar de amar dirigir um ônibus, entrou no ramo  “acidentalmente” e por influência do pai. No desenvolvimento de sua rotina de trabalho relata que só não gosta quando é obrigada a fazer uma tabela que encerra muito tarde. Ela prefere sempre fazer os 1os carros das linhas, porque tem ainda uma pré-adolescente e não gosta de deixa-la por muito tempo “sozinha”, Quando ela estudava de manhã e eu fazia o 1º. carro, dava tempo de chegar quase junto com ela e preparar o nosso almoço e depois cuidar das outras coisas da casa”. Ela disse que lida, sem grandes dificuldades, com a rotina do trabalho e da casa. Pelo horário em que atua, consegue conciliar tudo sem prejudicar nenhuma das tarefas. Ao ser perguntado se mudaria de profissão, se pudesse, ela afirmou que não mudaria, pois aprendeu a gostar muito da dinâmica do dia a dia. Ela confessou sempre ter sido muito fechada e depois que começou a dirigir ônibus, este contato com as pessoas,  fez com que se soltasse e aprendesse a ser mais sociável.

 

mulher 2019 91

 

Maria e alguns de seus amigos

Sobre o dia Internacional da Mulher, considera uma data muito importante e merecida, visto que representa o dia a dia da mulher e suas lutas pra fazer tudo o que faz. Acha que o dia da mulher é todo dia, pois  a mulher não para nunca. Ao ser indagado se nasceria mulher de novo, se pudesse, garantiu que sim, porque a mulher é especial, ela tem uma força, uma garra, ela é diferente do homem, ela luta, ela acredita e faz acontecer mesmo quando ninguém bota fé. Se tivesse a chance de voltar no tempo e começar de novo, disse que queria duas coisas: dar uma condição de vida melhor para os pais para evitar todo o sofrimento que passaram e ficar mais tempo com os filhos, coisa que não aconteceu, por ter tido que trabalhar, quando eram pequenos ainda (um deles tinha só 3 anos).

Liliane Dutra Evangelista

 

mulher 2019 61

Motorista (Articulado)
Vip Transportes Urbano

Completou o Ensino Fundamental, tem 37 anos, é casada há 8 anos,  mãe de 4 filhos (inclusive de gêmeas de 7 anos), natural de São Paulo. É motorista de ônibus há 17 anos e atua na Vip como operadora de superarticulado há 3 anos. É filha de mineiros, pai metalúrgico aposentado (sem escolaridade nenhuma) e mãe empregada doméstica (com escolaridade até a 4ª série do fundamental). Segundo ela mesma, várias pessoas da família (irmão, primos, enfim) serviram de inspiração para que ela hoje estivesse exercendo esta profissão. “Eu comecei como cobradora e sempre pensava que eu trabalhava o mesmo tempo que o motorista e ele ganhava o dobro de mim.

 

mulher 2019 67

Para Liliane dirigir um ônibus super articulado de 23 metros é mais confortável  do que os ônibus convencionais

 

Veja como meu pensamento era pequeno, pois eu não considerava o tamanho da responsabilidade de dirigir um ônibus. Depois saí da empresa, fui trabalhar como operadora de Caixa de supermercado (3 anos), com 18 anos tirei minha carta. Nisso surgiu uma nova oportunidade de trabalhar no transporte, voltei novamente como cobradora (exerci esta profissão por 5 anos ao todo somando as duas vezes em que trabalhei) e depois tive a chance de me tornar motorista”. 

 

mulher 2019 64

Festejando o aniversário do pai

 

Dentre as dificuldades no desenvolvimento de sua profissão, Liliane considera “o lidar com o ser humano, uma questão muito complicada e que exige muita sabedoria”, embora tenha muito jogo de cintura para contornar as mais variadas situações. Mas como toda profissão, há também os aspectos bastante positivos. Ela declarou que já teve as mais variadas surpresas durante o exercício de sua atividade: já foi aplaudida pelos passageiros, ainda recebe elogios de senhoras, homens e outras mulheres de sua faixa etária e também já recebeu um buquê de rosas (não por ela ser mulher, mas pela profissão) de alguém que até hoje ela não sabe quem é. 

 

mulher 2019 65

Com suas filhas

 

Em relação à 2ª. jornada de trabalho (tarefas domésticas e cuidados com escola [reuniões], consultas e exames médicos das crianças), ela tenta se organizar dedicando-se à família (o marido também é do ramo) da melhor forma possível. ”Quando minhas filhas eram pequenas, eu vivia muito estressada, era muita responsabilidade em casa para apenas 1 dia de folga, fora a responsabilidade no serviço. Como praticamente não sobrava tempo para o lazer com elas, acabei contratando uma conhecida pra me ajudar nas tarefas e isso e ajudou a me equilibrar um pouco. Hoje, as meninas já “estão grandes” e tanto elas quanto meu marido me ajudam bastante nas tarefas da casa”. 

 

mulher 2019 62

Em dois momento em casa, na sua segundo jornada e em seu momento de descanso

 

Ao ser perguntado se mudaria de profissão se pudesse, afirmou que não porque a dinâmica desta profissão, apesar de tudo, faz a pessoa aprender a se gostar, a se valorizar por tudo o que vê e ouve durante o trabalho. Acredita que a mulher ainda precisa alcançar mais direitos e ter mais oportunidades para desenvolver o que quiser profissionalmente, já que existem mais mulheres que homens. Diz que é merecido o reconhecimento do dia da mulher (tem orgulho de ser uma) por tudo o que elas representam e fazem em qualquer situação a que são expostas. Quando se questionou se mudaria algo se pudesse voltar no tempo, disse que não mudaria nada, já que sempre é tempo de aprender com os erros.

 

Marisa Führ (Gaúcha)

mulher 2019 11

Motorista (Ônibus Double-Decker Urbano)
Sambaíba Transportes Urbanos

 

É natural de Monte Negro, no Rio Grande do Sul. Tem 50 anos, tem apenas 1 filho, é casada há apenas 3 anos neste novo relacionamento. Trabalha como motorista há 23 anos e,  na Sambaíba, há 12 anos.  Está cursando o  Ensino Médio através de uma plataforma educacional de aprendizado intitulado ENSEJA, porque a sua escolaridade vinda do sítio, no Sul, não teve validade aqui em São Paulo, por falta de reconhecimento de “órgão competente”. Muito emocionada, disse ser uma dos 7 filhos de pai alemão e mãe polonesa. Os avós passaram muita fome na Alemanha. Seu pai chegou ao Brasil. ainda recém-nascido,  no porão de um navio que ancorou em Porto Alegre. Seus pais se conheceram no Brasil e sofreram muito, porque chegaram aqui sem nada e foram trabalhar abrindo matas, depois na roça e depois como empregados nas casas dos outros. Passado algum tempo, foram prosperando, aí compraram uma fazenda e as coisas foram se ajeitando.

 

mulher 2019 12

Gaúcha (como gosta ser chamada) com o marido numa viagem no sítio em Rio Grande do Sul 

 

Marisa perdeu a mãe cedo e por isso teve que aprender muitas coisas mais rapidamente. “Eu faço aniversário no dia 23 de dezembro. Ia comemorar minha festa de 15 anos neste dia, mas minha mãe faleceu no dia 20 do mesmo mês, então, quer dizer, a minha festa de 15 anos foi o enterro da minha mãe”, conta. A partir daí, ela ficou com uma responsabilidade imensa, pois tinha que cuidar dos irmãos. “A gente morava num sítio, então era muito inocente das coisas, e eu fiquei com uma responsabilidade muito grande de cuidar de uma criança de 2 meses, outra de 3 anos e do restante dos meus irmãos. Então eu tive que parar de estudar, pra cuidar de uma família. Agora... como eu ia cuidar de uma família? Eu chorava dia e noite, porque quando elas choravam, eu chorava junto, por não saber o que fazer. Tudo era complicado. Pra você ter uma ideia, a 1ª cidade mais perto de onde a gente morava era a 7 km, então, era tudo muito difícil”, declarou.

 

mulher 2019 13

Momento de lazer com seu marido

 

Passado o tempo, seu pai casou de novo. Ela saiu de casa, foi trabalhar como empregada doméstica e foi crescendo autonomamente. Veio para São Paulo, conheceu seu 1º marido. começou a trabalhar no aeroporto de Guarulhos como operadora de Caixa e no Café e olhando para baixo, no pátio do aeroporto, Marisa se interessou pelos caminhões que rodavam por ali. Ela já sabia dirigir, mas não tinha tido a oportunidade de fazê-lo profissionalmente. Tal oportunidade surgiu ainda em Guarulhos e ela ficou trabalhando por lá até o fechamento da empresa. De lá, entrou no transporte e foi para a carreta onde trabalhou alguns anos viajando pelo Brasil (exceto para o nordeste). Depois veio para a Sambaíba, após ganhar uma aposta feita com outro funcionário da mesma empresa o qual falou que ela não teria condições de passar no teste. Desde então, está muito feliz em seu local de trabalho, principalmente pelas diferenças em relação à estrada, tanto no que se refere ao salário, às condições de trabalho em si, já que pode voltar todos os dias para casa (a carreta não proporciona isso). Além do mais considera que no transporte urbano a pessoa aprende e ganha uma lição de vida a cada dia.  Revelou que sua inspiração profissional veio de seu pai (alguém de quem ela sempre foi fã) e a quem considerava o “colírio para os olhos” já que ele era muito trabalhador, muito decente, muito esforçado, alguém que lhe fazia enxergar o quanto algumas coisas valiam a pena. Ela disse ser a única que seguiu os passos do pai (motorista de caminhão).

 

mulher 2019 14

Gaúcha declara que consegue chegar a excelência do seu trabalho graças a ajuda da sua companheira de trabalho Geruza (cobradora)

Considera o trânsito um aspecto difícil no desenvolvimento de sua atividade diária, até mais que a relação com os passageiros, pois gosta de conversar muito com pessoas, gosta de ter pessoas por perto e acredita ter o “feeling” necessário para saber lidar com algumas situações cotidianas. Acha que a palavra certa no trato com o passageiro é habilidade. Em relação a sua organização com a 2ª jornada (tarefas domésticas), confessou ser difícil algumas vezes conciliar, porque se torna bem cansativo fazer tudo de casa e ainda trabalhar fora. Ao ser perguntado sobre o que melhoraria  a situação da mulher na sociedade afirmou que a palavra-chave é respeito em todas as situações. Acredita que se cada um se respeitar e respeitar o próximo (a falta de respeito vem de homem e de mulher) além de desenvolver sua tarefa com amor (porque capacidade todos têm). Fazer as coisas como amor é o segredo para se fazer bem feito. Sobre o dia Internacional da Mulher, considera um dia maravilhoso pelo reconhecimento que todas as mulheres merecem só por serem mulheres nesta sociedade. Acha que tudo o que a mulher se propõe a fazer, faz bem feito, com amor e mesmo assim, nem sempre tem o reconhecimento. Quando se perguntou sobre nascer de novo e ser mulher expressou que sim, pois acha a mulher “uma “dádiva de Deus”, porque só pelo fato de se poder gerar um filho e este filho gerar outra vida, não tem presente maior (ela é avó de uma menina e será novamente em breve. Segundo ela, ser avó é ser mãe de novo, de forma indireta), por isso se ela nascesse mil vezes, seria mil vezes mulher. Quando perguntamos o que ela mudaria, se pudesse voltar no tempo, disse que em sua vida em si, nada, mas que queria ter passado mais tempo com os pais, para usufruir mais da presença deles, porque sente falta, saudade, visto que eles foram “embora cedo”.

 

Elizangela Godinho

 

mulher 2019 54

Instrutora
Viação Miracatiba

 

Solteira, tem 40 anos e não tem filhos, natural de Juquitiba, São Paulo. É formada em Recursos Humanos e também como instrutora no Detran de São Paulo. Trabalhou 3 anos como secretária na Viação Pevatur e hoje é inspetora e coordenadora de linhas e de Recursos Humanos na Miracatiba. Está na profissão há 21 anos. Disse que o fato de trabalhar no transporte foi por admiração de uma amiga (muito profissional e determinada no que fazia, apesar do grande preconceito que existia na época) que era motorista de ônibus na Pevatur, na cidade onde nascera e onde também Elizangela trabalhava.

 

mulher 2019 55

Elizangela no inicio de carreira no setor do transporte coletivo na empresa Penvatur

 

Na época, Sueli - a amiga mencionada - era a única mulher da cidade que dirigia ônibus e Elizangela achava aquilo muito bonito. Foi a partir daí que nasceu o desejo de fazer o mesmo. Apesar de ter escolhido a profissão, Elizangela diz que enfrenta (como em todas as outras) algumas dificuldades no exercício de sua função, e relata que o preconceito e o assédio ainda são questões bem frequentes. Já sentiu na pele, quando escolheu profissionalmente o que desenvolve hoje, devido a todas as barreiras que teve que enfrentar. “Apesar da mulher estar um pouco mais livre, ainda enfrenta muito preconceito e assédio. Assédio por ser mulher e viver numa sociedade ainda machista e preconceito por muita gente que nos discrimina de forma preconceituosa e acredita que não somos capazes de fazer algo por sermos mulher”, afirmou ...

 

mulher 2019 57

Em 2008 quando entrou de motorista e tempo depois como inspetora

 

No que se refere à organização de sua vida pessoal (casa – atividades domésticas- e trabalho) diz que não tem problemas, pois sempre teve apoio e participação da família em tudo.  Ao ser perguntado se mudaria de profissão, se quisesse, ela disse que não mudaria, porque se sente realizada no exercício de sua atividade profissional e por está trabalhando na Viação Miracatiba, uma empresa que apoiar os interesses das mulheres e dá oportunidade para ingressar no ramo do transporte coletivo. “Eu sou a confirmação disso, entrei na Miracatiba como motorista e cresci profissionalmente, fui inspetora, coordenadora de linha e atualmente sou instrutora da empresa” declarou.

 

mulher 2019 58

Elizangela em sala de treinamento na Viação Miracatiba

 

Quanto às mudanças para melhorar a condição de vida da mulher, acha que as lutam devem continuar para que a sociedade se conscientize de que homens e mulheres tenham os mesmo direitos, deveres e oportunidades. Quanto ao dia Internacional da Mulher, ela considera que esta data deveria ser comemorada todos os dias, já que a mulher diariamente consegue abrir espaços nos mais diversos campos (sobretudo no profissional).

 

mulher 2019 56

Na casa no dia de folga e curtindo a exposição de ônibus, BBF

 

Quando lhe foi perguntado, se nasceria mulher de novo, se tivesse a chance, relatou que sim e que gostaria de ser ela mesma, por todos os desafios que já superou mesmo na condição de mulher. Na questão “se pudesse voltar no tempo e começar de novo o que mudaria”, alegou que não mudaria nada, porque considera que o combustível para chegar onde chegou (pessoal e profissionalmente) e para sua evolução humana foram os obstáculos que surgiram ao longo da caminhada até onde chegou.

 

Lucileia Fonseca Laureano

mulher 2019 68

Coordenadora de Treinamento
Sambaíba Transportes Urbanos

 

Divorciada, mãe de 2 filhos, tem 45 anos, natural de Barra Mansa, Rio de Janeiro. É pós-graduada em Psicologia e Psicologia de Trânsito. É Psicóloga, Colt e como prestadora de serviço é coordenadora de treinamento, na Sambaíba. Está na profissão há 22 anos aproximadamente e sempre atuou neste setor (treinamento e seleção). Ela que disse não ter sido influenciada por ninguém da família para trabalhar na área de transporte. Concretizou uma vontade que sempre quis. Segundo ela, em relação ao transporte, foi contemplada pelas circunstâncias, mas a Psicologia foi sua escolha pessoal para seguir como carreira. “Na verdade aconteceu um casamento entre minha escolha e o transporte, pois me deu a chance de combinar o que eu gostaria de mudar no comportamento humano, voltado para o trânsito. Isso faz com que esta atividade seja uma “diversão” pra mim. Eu amo fazer isso, não é nenhum sacrifício e tenho ainda total apoio de minha família”, relatou.

 

mulher 2019 69

Passeando com os filhos no shopping

 

No desenvolvimento de sua profissão, considera mais complicado o individualismo e a forma de realizar as coisas, visto que cada pessoa acha que tem que ser do jeito dela e por isso oferece muita resistência em mudar o comportamento”, declarou. Lucileia comentou não ter enfrentado nenhum tipo de dificuldade para entrar na área, Pensa que as coisas foram tão naturais e se dando de uma forma tão tranquila, que se houve alguma barreira, ela nem percebeu. Em relação à conciliação trabalho e tarefas domésticas, ela afirmou que há momentos muito complicados e que, às vezes, acaba deixando as domésticas (família, inclusive) para segundo plano.

 

mulher 2019 70

Em uma viagem com a filha

 

Ao ser perguntado se mudaria de profissão, se pudesse, ela alegou que jamais faria isso, pois segundo ela, nasceu para ser psicóloga, para ser colt e para ser do transporte. Em relação à melhoria da condição de vida da mulher, ela disse que a mulher precisa se aceitar mais como mulher e se lançar mais ao Mercado. Afirma que não haverá nunca uma rejeição se a mulher pensar “eu posso, eu quero, eu consigo, porque eu também tenho direito”, pois o mercado está aí para todos e sempre precisando de bons profissionais. Então, aceitação e investimento em estudo tirará a mulher de algumas questões vitimistas, principalmente desta visão que ela tem do “não é pra mim”. Acha que quando alguém e bom no que faz, o gênero não é tão importante, pois as pessoas vão te querer.

 

mulher 2019 71

 

Em relação ao dia Internacional da Mulher comentou: “Acho que o dia da mulher, do idoso, da criança é todo dia. Na verdade fixou-se uma data pra dizer que naquele dia a mulher é especial, mas a mulher é especial todo dia, assim como o idoso, o homem e a criança. Então, quando as pessoas se respeitarem não haverá a necessidade de ter um dia específico para aquilo. Acho que é bonito, é bacana a homenagem, pois neste dia a mulher é tratada de forma diferente, todo mundo trata a gente com um pouco mais de carinho, com pouco mais de respeito, mas o dia da mulher e de todos as outras pessoas é todo dia. Se todo mundo se tratar diariamente com respeito, a sociedade será bem melhor”,  dissertou. Se nascesse de novo ela disse que gostaria de nascer mulher sim e que seria psicóloga de novo e teria de novo a família e o emprego que tem. Não tem do que se queixar em relação a tudo isso na sua vida. Se pudesse voltar no tempo, não mudaria absolutamente nada do que é, pois vive hoje tudo o que escolheu viver e não teria sentido mudar as próprias escolhas.

Patrícia Di Pierre S. dos Anjos

 

mulher 2019 74

Cirurgiã Dentista
Sambaíba Transportes Urbanos

 

Casada, mãe de 2 filhos, tem 45 anos, natural de São Paulo. É formada em Odontologia, Bacharel em Direito e Pedagoga. Desempenha atualmente a função de cirurgiã dentista, mas já foi professora de Química e Biologia em curso noturno além de ter trabalhado alguns anos na pequena empresa do pai, fazendo serviços de escritório (recepção e cobrança). Está na profissão há 23 anos. Sua inspiração para seguir esta carreira veio da própria família: primos, padrinho de pai, todos dentistas e também com formação voltada para a área de Direito.  Ela disse ter escolhido esta profissão ainda na adolescência, por volta dos 12 anos.

 

mulher 2019 75

No desenvolvimento de sua atividade considera mais difícil a conscientização do seu paciente no que se refere à necessidade e importância de um tratamento. A falta de informação estimulando e conscientizando sobre a necessidade de um tratamento é algo complicado, segundo ela. Não enfrentou nenhuma dificuldade para adentrar neste ramo por ser mulher, pois é uma área até vista como “feminina de atuação”.

 

mulher 2019 83

Almoço coma família no final de semana

 

Em relação à conciliação trabalho e tarefas domésticas, afirmou ser bem complicado, bem difícil se não tiver ajuda de pessoas/parentes. “Já tive ajuda da sogra que olhava meus filhos, hoje meus pais fazem isso, tenho também a colaboração do meu marido em algumas atividades para o bom andamento da coisa e assim eu consigo me ajustar e sair para trabalhar”, declarou. Se pudesse e quisesse mudar de profissão, ela afirmou que hoje não mudaria mais. Se fosse há uns 10 anos, talvez ela mudasse para a Pedagogia.

 

mulher 2019 84

Passeio com o marido e os filhos

 

Para a melhoria da condição de vida da mulher na sociedade ela pensa que se houver a visão do “se pôr no lugar do outro” e o respeito ao próximo, muita coisa poderá mudar. Sobre o dia Internacional da Mulher, comentou: “Eu gostaria de ver as mulheres um pouco mais felizes com suas escolhas”.  Se nascesse novamente gostaria de nascer mulher, pois ela tem a condição que nenhum homem jamais terá: o fato de ser mãe, ter a capacidade de gerar uma vida, talvez a coisa mais marcante “do ser mulher”, afirmou. Se pudesse voltar no tempo, disse que não mudaria nada, visto que seus erros e seus acertos eram para ser  como foram e torná-la quem é.

Maria Sossmeier

mulher 2019 05

Comunicação Corporativa
Grupo MobiBrasil

Tem 39 anos, solteira, não tem filhos, natural do Rio Grande do Sul. É formada em Jornalismo há 17 anos. Já foi repórter, já foi assessora de imprensa e agora trabalha com comunicação corporativa (envolve comunicação interna, externa, publicidade). Não recebeu em casa nenhuma influência para seguir esta carreira. Ela disse que sempre gostou de escrever e desde criança a  sua brincadeira era ser “editora de uma revista feminina”, então, o Jornalismo foi sua escolha para seguir como carreira. Considera a falta de “espaço” uma das dificuldades de sua área e vê esta diferença na Mobi, pois é uma área valorizada, área que as pessoas buscam para pedir ajuda, para intervir, para comunicar, para dar ideia e ela percebe que isso não acontece em outros lugares, nem em diferentes áreas. Ela pensa que a comunicação não é tão valorizada, como deveria.

 

mulher 2019 25

Turistando em algum museu de São Paulo

Acredita que,  se a comunicação for bem usada no planejamento estratégico, poderá ajudar e muito uma empresa. Maria disse que não enfrentou nenhuma dificuldade para adentrar para o ramo de jornalismo por ser mulher. Nesta área tem espaço para todo mundo, independente de sexo. Em relação à conciliação trabalho e rotina de casa, ela disse fazer tudo e conseguir se “virar bem”. Ao ser perguntado se ela mudaria de profissão, se pudesse e quisesse, ela disse que não, porque adora o que faz, acredita não ter nascido para fazer outra coisa fora da comunicação. Vem Vai ao trabalho todo dia com muita vontade, sempre querendo mais e buscando aprender e a fazer mais.

 

mulher 2019 26

Maria com o sobrinho

Quanto ao que pode ser feito para melhorar a condição de vida na mulher na sociedade, ela disse: “acho que ainda falta voz e espaço pra mulher. Está mudando bastante, principalmente na questão da violência contra a mulher – coisa que me preocupa muito. Hoje elas falam mais e não precisam ter medo de mostrar que foram  vítimas de determinada violência. Sem dúvida este foi um passo importante, porém ainda tem que melhorar muito”, comentou. Em relação ao dia Internacional da Mulher, ela disse ser um dia importante. “O dia da Mulher é uma data importante, é um marco para mostrar como a mulher conseguiu ganhar espaço, para lembrar da importância e de como ela pode ser valorizada na sociedade”, declarou. Ao ser indagado se nascesse novamente se queria ser mulher, ela disse que sim: “a mulher é um ser especial. E ela coloca luz, alegria em tudo, traz uma energia boa. Pode ver: onde há uma mulher, há sempre um ambiente mais alegre, mais vibrante, mais descontraído”, colocou. Se pudesse voltar no tempo, o que mudaria na sua vida atual seria somente o colocar em prática a vontade que sempre teve de estudar fora do país.

Patrícia Sousa Rocha

mulher 2019 06

Gerente de Planejamento Estratégico
Viação Gatusa Transportes Urbanos

É casada há 2 anos, tem 35 anos, sem filhos, natural de São Paulo. É filha de pai metalúrgico aposentado (estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental) e mãe aposentada (cursando Ensino Superior em Pedagogia). Ambos vieram do nordeste muito jovens, sem recurso nenhum (ele do Piauí e ela de São Luiz do Maranhão) se casaram em SP e tiveram 3 filhos. Patrícia é graduada em Matemática, tem pós-graduação em Administração de Empresas, Pós-graduação em Capacitação Gerencial, MBA em Gestão Empresarial, MBA em Executivo e Finanças e atualmente faz Pós-graduação em Business intelligence.  Atua há 15 anos no segmento de transportes, e há 4 anos como gerente de planejamento estratégico, realizando trabalhos em remuneração, operação – parte logística, planejamento e monitoramento de linhas, na Viação Gatusa Transportes Urbanos.  Segundo ela, ninguém de sua família serviu diretamente como incentivo para a escolha profissional. “Eu quis trabalhar com algo concreto, me sinto confortável em trabalhar com algo que seja essencial, por exemplo, me imaginei trabalhando em supermercado, ou, sei lá, um restaurante, quando eu era bem mais jovem, algo que a pessoa não fosse capaz de viver sem. Quando eu vim trabalhar numa empresa de ônibus, eu vi que era essencial, porque é um serviço que acontece todos os dias, não tem dia, não tem noite, não tem temperatura, ele  simplesmente acontece, não tem sazonalidade, e... serve muitas pessoas, ajuda muitas pessoas e isso me faz bem.

 

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Formatura MBA Executivo Finanças do Insper com seu pai e mentor

Eu vim parar aqui ocasionalmente, foi uma amiga que me falou da existência da vaga. Eu sai de uma empresa multinacional, localizada na Vila Olímpia, um prédio super bonito e tal e entrei em uma garagem de ônibus que não tinha asfalto, atolei meu salto no barro, ouvia aquela gritaria, mas assim, lógico que o primeiro olhar não me agradou, né? Eu vim de um ambiente muito mais sofisticado, só que esta coisa do dia a dia da empresa de ônibus, de ter todo dia um dia diferente do outro, foi o que me encantou e eu gostei muito e fiquei’. Na empresa de ônibus acontecem coisas muito marcantes como, por exemplo, o fato de sermos reconhecidos por motoristas e cobradores com a inclusão de um lote de veículo novos com ar condicionado entre outros itens modernos, os quais ofereceram maior conforto para nossos clientes e colaboradores. Foi gratificante ouvir um grito de guerra deles: “conseguimos”! Isto foi o resultado das apostas de reuniões e orientações sobre engajamento e empreendedorismo que aplicamos para a equipe, que apesar de serem CLTs, conhecem a importância e o desafio do investimento que é necessário para a sobrevivência e alavancagem do negócio”.

 

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Patrícia com a família (mãe, irmãos e cunhadas).

Antes de ser gerente, Patrícia trabalhava como corretora de seguros (2 anos). Dentre as dificuldades no desenvolvimento de sua profissão, considera o fato de ter pouco marketing, e um padrão de trabalho como se fosse uma franquia um certo problema porque ela tem perfil generalista (e é obrigada a trabalhar dentro do padrão que lhe é oferecido pelo sistema) e entende que todas as áreas são essenciais, que nem tudo é só finanças, há um conjunto de práticas para se obter um bom resultado, assim como também considera a comunicação com o cliente algo fundamental para a empresa. Ela acha que a padronização engessa, porque não permite criatividade, e por consequência não contribui para o aumento de sua clientela. Considera isto um problema porque qualquer erro dentro deste padrão, não é fácil ter contrapartida para equilibrar a perda. Disse também já ter enfrentado todas as dificuldades e muitas críticas  por ser uma das poucas mulheres no meio, “um mundo só de homens” e que tem muita história pra contar sobre isso. “Eu já estive em reuniões, só com homens, rolou palavras de baixo calão, batida de mesa, enfim, me pediram desculpas depois; outros disseram que eu era mulher e quem nem deveria estar ali, mas já que estava, tinha que ouvir mesmo. Eu, confesso, fiquei assustada no começo, mas me mantive ali, porque o mais importante era a pauta da reunião. Hoje eu já superei tudo isso”

 

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Patrícia com o marido

Assim como outras mulheres, disse que se tivesse filhos sentiria o peso da  “2ª jornada” e que nem sabe como seria em virtude de sua rotina, praticamente sem horários pra muita coisa, já que, quando não está envolvida com o transporte, se envolve com a tecnologia, outra coisa que gosta muito. Se dedicasse à família plenamente, tem consciência de que não teria condições de apostar tanto nas questões em relacionadas ao trabalho. Acha que a mulher tem mostrado para a sociedade, diariamente a que veio. Toda mulher tem características específicas e que são importantes em algumas situações. A sensibilidade para reconhecer perfis de atuação em determinadas funções, ajuda muito a mulher a se dar bem nas coisas que faz. Entende que o poder de “guardar na lembrança um checklist e ser multifuncional” faz a mulher ser respeitada em qualquer área em que ela esteja atuando profissionalmente.

 

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Entrega dos primeiros 50 veículos Padron com ar condicionado

Considera o dia da mulher uma data merecida pelo fato da mulher carregar muitas dores, “ela dá amor com muitas dores. O homem pode ser amargo: uma mulher amarga é mal vista pela sociedade. A gente já nasce tendo que ser amorosa, já nasce tendo que fazer conciliações. A gente toma tantas pancadas quanto o homem, (às vezes até mais) e a gente tem que ser feliz, tem que harmonizar o ambiente, tem que trazer isso pra sociedade. Isso é um peso muito grande, então o dia da mulher vem pra reconhecer todo este mérito” – diz... Apesar de tudo isso, de gostar de ser mulher, sente o peso da cobrança social do quesito “ser mãe” que é algo que ela não sabe responder com propriedade, porque não tem este desejo e também não faz parte de seus planos. Quando se indagou se mudaria de profissão se pudesse, disse que talvez fosse engenheira (era a 1ª opção na lista de suas escolhas profissionais no vestibular, sem clareza na época se era civil ou mecânica, embora tivesse certeza de que “era de números”).

 

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Equipe da Viação Gatusa em evento promovido pela empresa

Afirmou também que se pudesse nascer de novo, apesar de tudo, gostaria de nascer mulher por gostar dos homens, ela admira os homens (esta admiração já começa em casa, em relação ao pai que é uma espécie de mentor dela, pela centralidade, pela profissão, embora ela também admire a mãe por outros quesitos) e acha que se fosse um, talvez não conseguisse perceber algumas das principais vertentes deles. Ao ser perguntada se mudaria algo se pudesse voltar no tempo, disse que não mudaria muito, apenas talvez, a questão da escolha do curso de engenharia, embora, suas outras complementações tenham lhe trazido um pouco desta vivência. Se sente realizada e acha que não tem muita coisa pra mudar, porque diz ter feito tudo como deveria, soube esperar o tempo de tudo: primeiro estudo, quando empregada, souber conciliar muito bem trabalho e estudo, não priorizou nenhum dos dois, deixou os dois no mesmo patamar, depois casamento, soube sacrificar o necessário no tempo que foi preciso, teve resultados muito antes do esperado, foi muito além do que imaginava na formação acadêmica, conseguiu se estender mais do que tinha como meta.

 

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Equipe da Gatusa no evento de reconhecimento pela gestão do conhecimento

E finaliza com uma mensagem para todas as mulheres pelo seu dia: “As mulheres são uma demonstração de delicadeza e fibra, um verdadeiro camaleão, conseguem ter flexibilidade nas mais diversas situações, além da sabedoria para se reinventar. Parabéns por este dia tão especial, o dia Internacional das Mulheres!

Cilene Cabral

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Assessora de Marketing
SPTrans - São Paulo Transporte

Natural do bairro da Mooca, São Paulo, tem 55 anos, mãe de 2 filhos. É formada em Jornalismo desde 1985, carreira escolhida/definida ainda adolescente. A formação acadêmica foi concluída quando já estava trabalhando na CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) na área de Benefícios, em um setor que cuidava da valorização das pessoas e promovia, aos 27 mil empregados, gincanas, promoções, passeios no “Fofão – ônibus de dois andares -, olimpíadas, concursos de crochê, tricô, de arte. Tinha até curso para empregadas ou dependentes gestantes, uma espécie de pré-natal. Ela disse que gostou tanto de trabalhar nesta área que estranhou ao receber o 1º. salário, tamanha a satisfação e o prazer em fazer tudo aquilo. Já esteve também atuando no treinamento, por conta de um concurso interno, mas logo foi para Assessoria de Imprensa, também por aprovação em um concurso interno. Na Imprensa permaneceu por quase 14 anos. Aceitou um grande desafio na carreira e desenvolveu o projeto para criação da Assessoria de Marketing e hoje está à frente, como responsável, dessa área. Dentre as ações de Marketing que valoriza a informação, orientação e aproximação com os usuários, Cilene destaca a preocupação em desenvolver ações que promovam a humanização do transporte.

 

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Filha de pais portugueses, ela disse que foi a única pessoa da família a seguir a área de Humanas na formação acadêmica e a trabalhar na área de transporte. Os seus três irmãos são engenheiros. Considera dificuldades no exercício de sua função a questão dos recursos financeiros e a dinâmica como as coisas acontecem: “São muitos assuntos todos os dias, temos muitos serviços, projetos e ações à disposição da população. O transporte é essencial, é ele que movimenta a cidade, então tudo que acontece, interfere no transporte e vice-versa. O transporte está presente na vida das pessoas e no cenário da cidade. Mas, ao mesmo tempo, esta dinâmica e seus desafios, fazem com que você queira cada vez mais se envolver com tudo isto”, comenta. Ela diz não ter problema em ser uma mulher numa liderança desta dimensão, porque sempre teve muito presente a experiência da mulher tomando a frente (sua mãe ficou viúva ainda jovem e com quatros filhos para criar), sendo condutora de sua própria vida e de suas vontades. Disse que se há algum preconceito ela não sente até por ignorar e ter ciência de quem é e do trabalho que realiza. Em relação à conciliação do trabalho com as tarefas domésticas ela disse estar mais tranquila atualmente (apesar de sua profissão exigir muito dela, o tempo todo), porque os filhos já são adultos, mas, confessa que já foi mais complicado, quando eram crianças. “A questão da dupla ou tripla jornada é muito real para a mulher.

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A família, a casa, exigem muito, então, há necessidade de muito equilíbrio, muita determinação, jogo de cintura e entendimento por parte da família, para que não haja prejuízo em nenhuma das tarefas”, disse. Ao ser perguntada se mudaria de profissão,se pudesse, ela respondeu com um sonoro “jamais”, porque disse que ama as palavras, ama ler, ama dinâmica, diversificações, enfim. Afirmou que encontra todos estes ingredientes no desenvolvimento de seu trabalho (que faz com muito orgulho). Em relação ao que pode ser feito para melhorar a condição de vida da mulher, disse que é a questão do respeito (não só à mulher, mas às pessoas em geral). “é a questão da empatia, falta ao ser humano se colocar no lugar do outro. Inclusive desenvolvemos ações de “trocais de papéis”, entre motorista e ciclistas, motorista e idosos, motoristas e pessoas com deficiência. Considera o Dia Internacional da Mulher uma data importante, por tudo o que representa e por isso tem que ser lembrado sempre; o massacre, as lutas, as conquistas, o próprio dia em si já é um marco. Então, ainda que certas coisas estejam distantes de algumas, a maioria das mulheres ainda sofre muito com questões que já deveriam ter sido superadas e, a meu ver, a mulher tem que estar onde quiser, da forma que achar que deve estar. Repito: esta questão do empoderamento da mulher sempre foi muito presente na minha vida. Foi assim que fui criada, é assim que vivo e é assim que crio minha filha.

 

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Cilene em viagem com os filhos em Machu Picchu no Peru

Eu considero uma completa ignorância, homens acharem que pode subjulgar alguma mulher, que podem ser proprietários de suas vidas, que elas estão apenas para servir”, declarou. Ao ser indagada se pudesse nascer de novo se nasceria mulher ela respondeu que sim, porque aprecia e muito esta dinâmica do cotidiano da mulher, a visão e sua sensibilidade em relação a todas as coisas à que é exposta. Já na questão de “se pudesse voltar no tempo”, só mudaria a questão de viajar mais, conhecer e desfrutar de mais culturas, de outras experiências.

Niege Rossiter Chaves

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Vice - Presidente
Grupo MobiBrasil

Tem 45 anos, casada, mãe de 2 filhas, natural de Recife, Pernambuco. Formada em Administração de Empresas pela UFPE e com pós-graduação em Gestão de Qualidade em Serviços. Atualmente é vice-presidente do grupo Mobibrasil. Trabalha na área do transporte há 27 anos. Começou com um tio, depois foi para a empresa de seu pai. Passou por todas as áreas, inclusive na manutenção. Gosta de estar com pessoas e sua área favorita é a operação. Sua inspiração pelo transporte veio de seu avô paterno que tinha uma empresa de ônibus rodoviário. Ela declarou ter escolhido esta área profissional por considerar que o diesel está em seu DNA, além de ser meio hereditário e também ser apaixonada pela realidade social e sua dinâmica. Niege disse não ter enfrentado nenhum tipo de preconceito por ser mulher nesta área e sempre foi muito respeitada por todos. Sua relação com empresários flui sempre de modo muito tranquilo.

 

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No que se refere à conciliação de tarefas de casa e trabalho, ela afirma que tenta ao máximo equilibrar e quando não é possível, abdica de algumas coisas. No exercício de sua profissão, acredita que não enfrenta tanta dificuldade (embora sempre existam) por fazer o que gosta:  “Dificuldades existem sempre, mas para se ter sucesso profissional é preciso fazer o que se gosta (já é meio caminho andado),  construir relações duradouras e outro ponto que sempre levo comigo é o que chamo de os 3D: Desejo, Dedicação e Determinação”, afirmou.

 

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Quando se perguntou sobre mudar de profissão, ela declarou que não mudaria, por gostar muito de trabalhar com mobilidade e que talvez ainda ampliasse o escopo para metrô e trem. Em relação a melhorar a condição de vida na mulher na sociedade, ela disse que sente o avanço e que, em breve, não haverá mais este tipo de discussão. Sobre o dia Internacional da Mulher pensa que todo dia é dia da mulher.

 

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Acha que é uma homenagem e não vê tanta importância. Ao ser indagado “se nascesse de novo, gostaria de ser mulher novamente”, ela disse que sim, pois gosta da forma como a mulher vê a vida, da forma como se relaciona com família, filhos, amigos. É sempre muito gratificante. Se tivesse a chance de voltar no tempo, alegou que mudaria apenas o fato de estudar mais e manteria o restante do mesmo jeito.

O SINDICATO

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo – SPUrbanuss é uma entidade civil, sem fins lucrativos, que congrega as empresas concessionárias responsáveis pelos serviços de transporte de passageiros por ônibus do Município de São Paulo.

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