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Tarifa é o principal desafio do transporte público

04/09/2017

Para usuário, tarifa é o principal desafio do transporte público
Pesquisa inédita revela que passageiro também se queixa da falta de segurança e de desconforto nos ônibus urbanos
 

O preço das passagens é o problema mais recorrente do setor de transporte público, citado por 64,5% dos entrevistados, segundo pesquisa que identifica os principais padrões de mobilidade urbana do país e a opinião dos entrevistados sobre o setor.
 

De acordo com o levantamento, a falta de segurança (55%) e de conforto (44,9%), seguidas pelos elevados tempos de viagem (28,8%), despontam entre os motivos mais frequentes da lista de reclamações dos passageiros. Os dados são da pesquisa Mobilidade da População Urbana 2017, realizada entre os dias 12 a 23 de junho deste ano pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
 

“Pretendeu-se conhecer os maiores problemas enfrentados pelos usuários do transporte público e descobrir os motivos que provocaram a substituição dos modos de transporte coletivos por outras modalidades”, esclarece o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha. O estudo também estabelece um referencial comparativo com a pesquisa realizada pela NTU em 2006.
 

A tarifa pesa na decisão do passageiro pela substituição do ônibus por outro tipo de transporte. A troca é justificada pela falta de flexibilidade dos serviços ofertados, pelo alto preço das tarifas e pelo desconforto do transporte público. Para 30,3% dos entrevistados, a atual oferta de serviço desse sistema é considerada limitada em relação aos horários e itinerários disponíveis aos usuários. Quase o mesmo percentual (29,5%) deixou o ônibus só por causa dos elevados valores das tarifas, aponta o estudo.
 

A redução da passagem é condição fundamental para o retorno daqueles que substituíram o ônibus por outro transporte. Essa foi a motivação indicada por 75,1% dos entrevistados.
 

Apesar de 45,2% do universo de todos os deslocamentos serem realizados por meio do ônibus urbano, o modal deixou de ser utilizado por 38,2% dos entrevistados, como meio de transporte público, sendo que 16,1% o abandonaram totalmente e outros 22,1% diminuíram o uso. Na comparação com a mesma pesquisa realizada pela NTU em 2006, aumentou em 24,2% o número de brasileiros que reduziram ou deixaram de usar o ônibus para se deslocar nos municípios.
 

Problemas urbanos
 

O transporte figura entre os principais problemas urbanos percebidos nos municípios brasileiros. Mantém a mesma posição da pesquisa de 2006. Foi o quarto mais citado (12,4%), perdendo para falta de segurança (67,8%), de saúde (51,5%) e o desemprego (36,6%). No entanto, menos entrevistados o consideram como um problema urbano.
 

Com relação aos padrões de mobilidade, os brasileiros gastam pouco mais de meia hora nos deslocamentos médios, especialmente para ir ao trabalho (37,7%). Os tempos de viagem estão diretamente condicionados ao tamanho dos municípios, segundo o estudo.
 

Mais da metade (59%) dos entrevistados faz deslocamentos todos os dias úteis da semana. A pesquisa esclarece que essa frequência tem relação direta com as condições financeiras da população. Segundo os motivos de viagens pesquisados, 53,3% são realizadas por causa de trabalho. Em comparação à pesquisa de 2006, diminuiu este ano a frequência de viagens para atividades de estudo, de 13% para 9,7%.
 

Outro dado que merece reflexão revela que quase metade dos entrevistados tem automóvel (46,5%). Quando a pesquisa questiona gastos com meios de transportes, o ônibus é apontado como modo com maior custo no transporte público (R$ 6,84/dia). O presidente da NTU avalia que o dado corrobora a urgência de se resolver a questão do financiamento dos custos dos serviços de ônibus. “Se isso não acontecer, vamos continuar perdendo espaço para o transporte individual”, afirma.
 

Se depender do usuário do sistema, o governo terá que arcar com esse ônus. Atualmente, na maioria das cidades brasileiras, os custos do transporte público são pagos somente por meio das tarifas. Ou seja, o financiamento do transporte público é realizado exclusivamente pelo usuário. A pesquisa mostra que apenas 19,4% dos entrevistados concordam com o atual modelo de custeio dos serviços, enquanto 69,5% acreditam que o governo deva contribuir no financiamento do transporte público.
 

O Brasil é um país essencialmente motorizado, forma usada em 77,5% dos deslocamentos, segundo a amostra. Dentre eles, o ônibus é o modo de transporte predominantemente utilizado pela população brasileira. No universo de todos os deslocamentos considerados, 45,2% são realizados por ônibus. Esse dado demonstra a representatividade do ônibus na matriz de deslocamento dos municípios.
 

Falta de prioridade
 

Mesmo com expressiva participação na matriz de transportes, os modos coletivos perdem a batalha contra o transporte individual, segundo comprova a pesquisa. Ela mostra que os meios de transporte individuais são mais representativos que os coletivos, na avaliação geral dos deslocamentos. O levantamento revela que nos últimos 11 anos (comparação com pesquisa de 2006) houve redução de 10,2% da participação dos modos coletivos na matriz de deslocamentos das cidades brasileiras.
 

Segundo o estudo, independentemente dos motivos dos deslocamentos, a maior parte das viagens é realizada com a utilização de uma única condução e na parte da manhã, entre 7h e 9h (33,4%).
 

Outra questão importante no debate sobre o transporte público urbano no Brasil diz respeito às gratuidades e benefícios tarifários do sistema. O assunto também é alvo da pesquisa. O levantamento informa que apenas metade dos chefes de domicílios entrevistados (50,9%) acredita que as passagens gratuitas ou com desconto são custeadas pela tarifa, ou seja, por pessoas que pagam a tarifa integral. O desconhecimento sobre o assunto é muito grande. Chama a atenção o fato de o governo ter sido citado por 34% dos chefes de família como financiador desses benefícios. Há ainda quem acredite que as empresas que operam o transporte público são as responsáveis por esse pagamento (6,3% dos entrevistados).
 

Para Otávio Cunha, os dados apresentados só reforçam a convicção do setor, de que o futuro aponta para o transporte coletivo de qualidade e acessível a todos. “Para alcançar essa meta, vamos precisar de planejamento e fortes investimentos em infraestrutura de transporte coletivo. Só assim as cidades brasileiras poderão se desenvolver de forma sustentável”, avalia. Em contrapartida, o presidente afirma que os benefícios serão muitos: menos congestionamentos, trânsito mais ágil e seguro; redução do consumo de combustíveis e da poluição ambiental; redução de gastos públicos com acidentes e doenças; incentivo ao empreendedorismo e ao investimento produtivo; mais oportunidades e melhor qualidade de vida.
 

Metodologia
 

Na pesquisa foi ouvida a população residente em 35 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. O questionário foi respondido pelo responsável pelo domicílio, prestando informações detalhadas sobre os seus deslocamentos para a realização das atividades diárias, seja para trabalho, estudo ou outras razões. Além de prestar suas próprias informações, o respondente forneceu informações resumidas sobre os deslocamentos de todos os moradores do domicílio com 15 anos ou mais, chegando ao total de 7825 pessoas pesquisadas.
 

O estudo ainda levou em conta o porte do município e a classe social do entrevistado. As entrevistas foram feitas entre 12 e 23 de junho de 2017, nos domicílios, de forma presencial, com a realização de 3.100 entrevistas.
 

Com relação ao perfil dos entrevistados, 52,5% são do sexo feminino. Na maioria dos 3.100 domicílios pesquisados residem dois moradores (32,7%), sendo que o total de residentes soma 9.407 pessoas. Os adultos predominam na amostra e representam 51,9% dos moradores das residências pesquisadas. Ainda sobre o perfil dos entrevistados, os desempregados constituem 10% dos indivíduos com 15 anos ou mais pesquisados, o equivalente a 786 pessoas.
 

Apresentação Pesquisa e Mobilidade da População Urbana 2017 

 

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