Um conceito que perde força

Data: 14/06/2017

Um conceito que perde força

Fonte: Revista AutoBus


O transporte público urbano feito pelo ônibus dá sinais que está esgotado e algo precisa ser feito urgentemente para resgatar seu papel fundamental no desenvolvimento das cidades. Com presença constante na mídia (a maior incidência é por meio de críticas), o ônibus urbano e seus sistemas mostram-se incapazes de reverter o quadro negativo vivido ao longos dos últimos anos. A carência de valorização por parte do gestor público pode ser definida como fator preponderante dessa imagem desgastada. Tornou-se banal os serviços urbanos serem o mote para manifestações contrárias à diversos aspectos derivados de nossa sociedade, como por exemplo, a violência urbana.

Governantes dão mostra que desestruturar sistemas pode valer votos e apoios incondicionais aos seus projetos políticos que mais interessam a si do que a coletividade. E a própria sociedade não vê que as cidades estão a um passo do colapso ao deixar de promover cobranças essenciais para um desenvolvimento ordenado e eficiente capaz de lhes promover maior bem estar. Vivemos uma inadimplência governamental em diversos setores que compõem a estrutura das cidades, sendo o transporte público, relegado a segundo plano na agenda do gestor.

Recentemente, o jornal carioca O Globo divulgou matéria sobre o sistema de BRT (Trânsito Rápido de Ônibus) da cidade do Rio de Janeiro, formado por três corredores, ressaltando que o conceito chega aos cinco anos sem motivos para comemorar. O BRT é um sistema de ônibus muito benéfico e vantajoso para as médias e grandes cidades que não possuem fartos recursos orçamentários para garantir modelos de transporte sobre trilhos apropriados para uma mobilidade urbana eficiente. É possível, com o transporte sobre pneus, alcançar índices de satisfação em sua operação muito próximos ao metrô ou trem.

O Globo destaca o abandono da manutenção viária dos corredores, a insegurança em estações, o vandalismo, a falta de cuidados com a frota, do planejamento estrutural e a superlotação. São aspectos que afetam significativamente o desempenho operacional, prejudicando a mobilidade das pessoas que deveriam receber serviços de qualidade e acessíveis, afinal, esse é o paradigma do BRT. As respostas para os problemas são vagas e não levam em consideração a necessidade.

Ainda na cidade do Rio de Janeiro, o sindicato que congrega as empresas de ônibus urbanos (RioÔnibus) salienta que o sistema está em colapso e que a prefeitura não está cumprindo o contrato de concessão, que previa o reajuste da tarifa no início do ano. De acordo com a entidade, o congelamento tarifário não repõe os custos, com prejuízos às operadoras, aos trabalhadores do setor e a população. Em nota, o RioÔnibus também diz que o principal meio de transporte público carioca vem sofrendo constantemente com a concorrência desleal do transporte à margem da lei.

O que se vê é uma batalha diária entre poder público, operadoras e passageiros, com perdas lastimáveis à toda sociedade. O ônibus está perdendo sua força, não só no Rio de Janeiro, mas em muitas localidades brasileiras que não estão observando a importância que o modal representa, tanto na questão social, como em termos ambientais. Enquanto várias cidades pelo mundo estão promovendo mérito ao veículo em seus sistemas de transporte, incorporando muita tecnologia de acessibilidade, para a redução das emissões poluentes e de promoção à segurança, por aqui ele faz parte de uma cultura que o considera sub produto da mobilidade, sem o devido valor que tem de direito.

É clara a necessidade por mudanças. Sem elas, estamos vendo o declínio da evolução urbana.

Imagem – Arquivo AutoBus



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