Bonde São Paulo tem nova etapa ambiental após mudança para VLE., projeto recoloca em debate o aproveitamento dos trólebus

27/10/2026

Fonte: Diário do Transporte

Sistema planejado para o Centro reúne duas linhas e cerca de 12 quilômetros; proposta passou de trilhos físicos para veículos sobre pneus, e Nunes anunciou estimativa de R$ 2,1 bilhões

A Prefeitura de São Paulo autorizou uma nova providência para o licenciamento ambiental do Bonde São Paulo, projeto de transporte elétrico planejado para conectar terminais, estações e áreas comerciais do Centro. A publicação desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, ocorre após a mudança anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes, em abril, para utilização de veículos sobre pneus, com orientação eletrônica, no lugar da concepção original sobre trilhos.

A publicação da São Paulo Urbanismo autoriza R$ 7.030 para análise do plano de trabalho destinado à solicitação do Termo de Referência do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, o EIA/RIMA. A avaliação será realizada pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

O Termo de Referência estabelece o conteúdo e a abrangência dos estudos ambientais. No caso do Bonde São Paulo, essa preparação está inserida em uma intervenção que combina transporte coletivo, circulação de pedestres, espaços públicos e conexão com a rede existente.

Mudança tecnológica foi anunciada em abril de 2026

A solução anunciada utiliza veículos sobre rodas e marcações eletrônicas para orientar a circulação por trajetos definidos. Na ocasião, o prefeito informou que a readequação havia reduzido a estimativa de implantação de R$ 4,1 bilhões para R$ 2,1 bilhões.

Nunes atribuiu a escolha às características técnicas do percurso e citou visitas de sua equipe à China e ao Japão, além da experiência paranaense. Também afirmou que a estruturação envolveria investimentos municipais e participação da concessionária responsável pelo território.

A apresentação atual do projeto no portal municipal Gestão Urbana utiliza a denominação VLE. O despacho ambiental publicado nesta segunda-feira mantém a referência a VLT, nomenclatura empregada durante a elaboração dos estudos originais.

O que o projeto pretende conectar

O Bonde São Paulo foi concebido para atender deslocamentos entre áreas do Centro que concentram comércio, empregos, equipamentos culturais, serviços públicos e conexões de transporte.

O território considerado abrange Bom Retiro e Brás, além de destinos como Rua 25 de Março, Mercado Municipal, Triângulo Histórico, Theatro Municipal, Sala São Paulo e Biblioteca Mário de Andrade.

O desenho também alcança Vale do Anhangabaú, Parque da Luz, Largo do Paissandu, Largo do Arouche, Praça da Sé e Parque Dom Pedro II.

A integração planejada compreende cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas estações de trens. Também considera o BRT Radial Leste e a futura Linha 19-Celeste.

Para quem chega ao Centro por uma linha de ônibus ou de trilhos, a função pretendida é distribuir as viagens entre esses destinos. O projeto associa essa circulação à recuperação dos espaços públicos e à melhoria das condições de caminhada.

Estudos anteriores detalharam energia, controle e operação

A evolução do Bonde São Paulo também passa por estudos contratados para a configuração original de VLT.

O escopo abrangia anteprojeto dos sistemas elétricos, empreendimentos associados, infraestrutura e subestações. Incluía especificações de energia de tração, instalações elétricas, sinalização, telecomunicações, prevenção de incêndio e Centro de Controle Operacional.

Na configuração ferroviária apresentada em 2025, o planejamento previa 27 estações, alimentação pelo solo em 750 volts de corrente contínua, nove trens por linha e intervalos de seis minutos. O controle operacional seria instalado em terreno municipal na Avenida do Estado.

Esses parâmetros registram a fase de desenvolvimento sobre trilhos. A mudança anunciada em abril de 2026 introduziu outra solução de material rodante e de implantação da via, mantendo o objetivo de conectar os principais destinos centrais.

Trólebus e bonde: duas decisões que afetam a mesma rede de passageiros

O prefeito relacionou sua posição à sobreposição de percursos na região central e aos gastos de manutenção da infraestrutura elétrica.

O estudo propôs integração entre tecnologias e uso da capacidade elétrica disponível para ampliar a circulação de ônibus de emissão zero. Uma das alternativas analisadas é o E-Trol, veículo que combina alimentação pela rede aérea e baterias para percorrer trechos com autonomia.

A proposta permite utilizar a energia da rede durante parte da viagem e prosseguir com energia armazenada em outros segmentos. Segundo os especialistas ouvidos pelo jornal, essa solução amplia as possibilidades de aproveitamento dos investimentos existentes.

O instrumento estabelece até 15 anos para os trólebus, com possibilidade de extensão por três anos mediante justificativa. Também prevê manifestação técnica e econômico-financeira da concessionária sobre a renovação.

O planejamento do Bonde São Paulo se encontra, portanto, com a decisão sobre os ônibus que já ligam bairros ao Centro. A discussão técnica envolve o percurso completo do passageiro, a continuidade dos atendimentos, a organização das integrações e o custo de utilizar, adaptar ou substituir a infraestrutura elétrica existente.