Fim da escala 6x1 vira alvo de debate no setor de transportes
26/05/2026
Fim da escala 6x1 vira alvo de debate no setor de transportes em São Paulo

Foto: Carla Carniel | Estadão Conteúdo
A Câmara Municipal de São Paulo agendou uma audiência pública para o dia 11 de junho de 2026. O encontro debaterá o fim da escala 6×1 nos transportes coletivos da capital paulista. A iniciativa partiu da vereadora Luana Alves (PSOL), que integra a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. O objetivo principal consiste em analisar os impactos da proposta sobre a rotina dos profissionais e a operação das linhas da SPTrans.
A discussão ganha força em meio ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra pressa para sancionar a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial. Por outro lado, especialistas em risco empresarial alertam para os perigos de uma regra unificada para todo o mercado.
Segundo a advogada Liana Variani, o governo cometerá um erro grave se colocar todas as atividades econômicas no mesmo patamar. "Não dá para tratar o setor de transportes da mesma forma que um banco ou um cartório" , explica a especialista. Afinal, os serviços essenciais funcionam ininterruptamente e enfrentam realidades operacionais complexas, como os tempos de descanso e os intervalos de jornada.
Consequentemente, as associações patronais manifestam forte preocupação com o aumento dos custos logísticos. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que o fim da escala 6×1 elevará os custos de mão de obra em 33%. Esse cenário exigirá a contratação de novos profissionais e a ampliação das frotas. De acordo com a entidade, a mudança resultará no aumento das tarifas de ônibus ou na necessidade de maiores subsídios públicos.
Além disso, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que o setor precisará contratar pelo menos 250 mil novos trabalhadores no país. O presidente da CNT, Vander Costa, destaca que o segmento já enfrenta uma severa escassez de motoristas qualificados. Por isso, ele propõe uma regra de transição gradual, reduzindo uma hora de trabalho por ano ao longo de quatro anos.
Em contrapartida, os representantes dos trabalhadores defendem a aprovação imediata da proposta e rejeitam os argumentos das empresas. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Paulo João Estausia, afirma que a mudança gerará 4,5 mil empregos imediatos apenas no transporte urbano.
Ademais, as centrais sindicais argumentam que a escala atual prejudica a saúde física e mental dos funcionários. Conforme os líderes trabalhistas, as rotinas estafantes e os salários baixos afastam os profissionais do setor. Portanto, a redução da carga horária tornará a carreira de motorista mais atraente, solucionando a falta de mão de obra a longo prazo.