'Não vemos cenário de desabastecimento de combustíveis no Brasil', diz ANP
24/03/2026
'Não vemos cenário de desabastecimento de combustíveis no Brasil', diz ANP
.png)
O diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, descartou o risco de desabastecimento de combustíveis no Brasil em meio à escalada de preço do petróleo no mercado internacional diante da guerra no Oriente Médio.
O que aconteceu
Watt disse não observar cenário de desabastecimento de combustíveis. Ele avalia que o ambiente favorável é baseado na produção nacional de biocombustíveis e na manutenção das compras internacionais. "No médio prazo, ainda que as importações ocorram a um preço um pouco maior, elas vão acontecer", disse em entrevista ao programa Estúdio i, da Globonews.
Agência reguladora atua para impedir eventual falta de produto no Brasil. Watt afirma que para impedir o cenário de desabastecimento a ANP atua ao lado da Petrobras e das empresas exportadoras e distribuidoras, questionando os estoques e o volume de importações.
Artur Watt, em entrevista à Globonews
O mercado está passando por uma turbulência causada pela guerra, mas não vemos um desabastecimento físico, de falta de produtos.
Dependência do diesel importado preocupa a ANP, afirma Watt. O diretor-geral reconhece o gargalo da capacidade de refinar o combustível e avalia que a busca por um "estoque estratégico de diesel" é uma opção a ser avaliada. "Isso pode nos ajudar". Ainda assim, ele destaca que a balança superavitária de comércio do petróleo coloca o Brasil "em uma situação menos grave".
Alerta de risco é originado pela recente elevação do preço do petróleo. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no dia 28 de fevereiro, o barril do Brent, referência internacional para o combustível, saltou 54,8%, de US$ 72,48 para US$ 112,19, até o fechamento da semana passada. Hoje, a cotação recua mais de 10% e volta a figurar abaixo de US$ 100 após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai interromper os ataques contra o Irã por cinco dias.
Fiscalizações de postos e distribuidoras tentam inibir aumento abusivo de preços. Watt destaca que o trabalho da agência reguladora em parceria com o governo federal busca observar os reajustes abusivos nos postos e as recusas de fornecimento de combustíveis. "Já fiscalizamos 154 agentes econômicos, sendo 128 postos e 24 distribuidoras de combustíveis", contou.
Governo atua para segurar o preço do diesel aos consumidores. O Planalto zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível para diminuir o impacto na economia brasileira das oscilações do petróleo. Em seguida, representantes da área econômica do governo iniciaram a ofensiva para que os governos estaduais reduzam o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado.