Prefeitura cria grupo para analisar contratos com empresa de ônibus após operação em SP

18/09/2026

Fonte: Folha Online - SP

Colegiado reúne Procuradoria, Controladoria, SPTrans e Mobilidade

Ônibus da empresa A2 Transportes na Zona Sul de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), determinou nesta quinta-feira (17) a criação de um grupo de trabalho para analisar os elementos da investigação que culminaram na ordem de prisão temporária do ex-vereador Milton Leite (União Brasil).

Segundo a prefeitura, o colegiado será formado por membros da Procuradoria-Geral do município, da Controladoria-Geral e da Secretaria de Mobilidade Urbana, além da SPTrans, e vai apurar também a possibilidade de o governo local intervir sobre a empresa de ônibus A2, um dos alvos da operação desta quinta.

Em se confirmando, a intervenção será nos moldes do que ocorreu com a Transwolff e a UpBus, ambas investigadas sob a suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

"A Prefeitura fará um levantamento rigoroso de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, adotando todas as medidas administrativas e judiciais que forem necessárias", declarou a administração em nota.

O texto afirma ainda que a gestão municipal "não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações".

Batizada de Vectura Corrupta, a operação desta quinta-feira apura se empresas que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após vencerem licitações.

A investigação mira também a suspeita de corrupção de servidores públicos e o envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas.

Ao todo, 16 pessoas foram alvo de mandados de prisão em decisão que autorizou buscas em 18 endereços nos municípios de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Os mandados foram expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.

Milton Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024. Foi também o presidente mais longevo da Câmara Municipal desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 -quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.

A decisão que decretou a prisão do ex-vereador aponta Leite como "o dono de fato" da Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC. Segundo o magistrado, o político "é citado nominalmente diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC".

Ele não foi localizado pelos investigadores em seus endereços e é considerado foragido. À Folha, por telefone, Leite disse estar fora da capital e afirmou que se entregaria em até 24 horas. "Estou me organizando com meus advogados", declarou.

Ele nega todas as acusações. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida", afirmou. Segundo ele, sua relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, e não há "nenhuma hipótese" de ser dono da empresa, que, segundo ele, reúne 600 cooperados. A Transwolff também nega a acusação.

Sobre operação contra Milton Leite