Editorial Diário de S. Paulo
27/01/2014
DIÁRIO DE S. PAULO
Selvageria que não leva a nada
Editorial
26/01/2014
A tempestade que castigou São Paulo na tarde de sexta-feira não deveria ser tratada apenas como mais uma chuva de verão. Em meio ao drama e desespero de pessoas submersas, de carros arrastados pela enxurrada, de passageiros aflitos no transporte público, de motoristas ilhados e moradores de áreas de risco multo próximos de mais uma tragédia, chamou a atenção a irracionalidade, quase selvageria, de alguns protestos contra a situação de calamidade vivida pela capital em dias de chuva.
As Imagens mostradas pela TV de um grupo saqueando um caminhão que transportava alimentos e de mais alguns ônibus incendiados, ainda que possam ser entendidas como um basta à falta de respostas do poder público a um problema recorrente na cidade, em nada contribuem para sua solução definitiva- pelo contrário- A exemplo do que ocorreu nas manifestações contra o aumento dos R$ 0,20 na tarifa de ônibus, a violência só faz com que os protestos se descaracterizem, percam legitimidade e fiquem sem a adesão de toda a sociedade. A partir do momento em que um cidadão ataca um caminhão de comida, já não se sabe mais o que é protesto e o que é vandalismo. 0 que se sabe é que isso é roubo, e, portanto, um crime.
O nobre leitor sabe que este DIÁRIO combate a negligência das autoridades e não perdoa o descaso com que o poder público age em alguns casos. Diariamente, no exercício do seu oficio de lutar por um país mais justo, o jornal traz reportagens que denunciam a falta de compromisso do Estado em favor da população. Mas não pode concordar com as reações desmedidas de quem, ao se rebelar contra a gestão publica, acaba atropelando a lei e ignorando os mínimos padrões de civilidade, num flagrante desrespeito ao próximo.
Os saques, depredações e incêndios de ônibus são absolutamente reprováveis. E descabidos. Seus autores devem ser enquadrados na lei e punidos com o rigor necessário. Caso contrário, abre -se espaço perigoso para que se instale na cidade a barbárie coletiva, sem controle. Ainda que alguns teóricos do comportamento humano defendam os excessos em situações extremas, não se pode aceitar a falta de senso, que deve existir como a linha tênue que separa o protesto do vandalismo.
Evidente que ao defender a ordem também não se pode fechar os olhos para a suspeita, quase certeza, de que o governo tem perdido a mão no exercício de sua autoridade, o que permite reações como estas. Reconhecidamente, tem faltado equilíbrio para as ações do governo, em todos os níveis, O que todos pregam em tempos de caça aos votos, poucos conseguem cumprir quando as eleições ficam para trás. E esse descompromisso acaba alimentado as revoltas que se veem em curso hoje pelo pais afora.
Selvageria que não leva a nada
Editorial
26/01/2014
A tempestade que castigou São Paulo na tarde de sexta-feira não deveria ser tratada apenas como mais uma chuva de verão. Em meio ao drama e desespero de pessoas submersas, de carros arrastados pela enxurrada, de passageiros aflitos no transporte público, de motoristas ilhados e moradores de áreas de risco multo próximos de mais uma tragédia, chamou a atenção a irracionalidade, quase selvageria, de alguns protestos contra a situação de calamidade vivida pela capital em dias de chuva.
As Imagens mostradas pela TV de um grupo saqueando um caminhão que transportava alimentos e de mais alguns ônibus incendiados, ainda que possam ser entendidas como um basta à falta de respostas do poder público a um problema recorrente na cidade, em nada contribuem para sua solução definitiva- pelo contrário- A exemplo do que ocorreu nas manifestações contra o aumento dos R$ 0,20 na tarifa de ônibus, a violência só faz com que os protestos se descaracterizem, percam legitimidade e fiquem sem a adesão de toda a sociedade. A partir do momento em que um cidadão ataca um caminhão de comida, já não se sabe mais o que é protesto e o que é vandalismo. 0 que se sabe é que isso é roubo, e, portanto, um crime.
O nobre leitor sabe que este DIÁRIO combate a negligência das autoridades e não perdoa o descaso com que o poder público age em alguns casos. Diariamente, no exercício do seu oficio de lutar por um país mais justo, o jornal traz reportagens que denunciam a falta de compromisso do Estado em favor da população. Mas não pode concordar com as reações desmedidas de quem, ao se rebelar contra a gestão publica, acaba atropelando a lei e ignorando os mínimos padrões de civilidade, num flagrante desrespeito ao próximo.
Os saques, depredações e incêndios de ônibus são absolutamente reprováveis. E descabidos. Seus autores devem ser enquadrados na lei e punidos com o rigor necessário. Caso contrário, abre -se espaço perigoso para que se instale na cidade a barbárie coletiva, sem controle. Ainda que alguns teóricos do comportamento humano defendam os excessos em situações extremas, não se pode aceitar a falta de senso, que deve existir como a linha tênue que separa o protesto do vandalismo.
Evidente que ao defender a ordem também não se pode fechar os olhos para a suspeita, quase certeza, de que o governo tem perdido a mão no exercício de sua autoridade, o que permite reações como estas. Reconhecidamente, tem faltado equilíbrio para as ações do governo, em todos os níveis, O que todos pregam em tempos de caça aos votos, poucos conseguem cumprir quando as eleições ficam para trás. E esse descompromisso acaba alimentado as revoltas que se veem em curso hoje pelo pais afora.