Muita ilação, pouco conteúdo
05/05/2014
ARTIGO: MUITA ILAÇÃO, POUCO CONTEÚDO
Em 24 de fevereiro deste ano, o jornal Gazeta do Tatuapé – Zona Leste publicou um artigo sobre incêndios em ônibus, assinado por Sérgio Carreiro de Teves, intitulado “Os ônibus é que são os culpados”, eivado de inverdades e ilações. Lá pelas tantas, diz o texto: “Será que não é de propósito que está ocorrendo isso? Será que não há um incentivo dos próprios empresários para forçar o governo a aumentar o preço das passagens? Ou o incentivo vem do governo para forçar os empresários a modernizar suas frotas. O fato é que as cenas se repetem todos os dias e não há qualquer atitude de quem quer que seja. Os empresários não tomam iniciativa e o governo através da polícia não prende ninguém. No final, tudo acaba só no prejuízo. Considerando que esses veículos estão assegurados (sic), nem os empresários perdem, só o seguro é quem paga o prejuízo e ele mesmo, também, se protege com o resseguro.” Quanta besteira!
Para quem não sabe, as empresas concessionárias que operam o transporte urbano por ônibus na cidade de São Paulo são remuneradas pelo serviço prestado com base no número de passageiros transportados e em uma tarifa de remuneração, que não tem nada a ver com o valor da passagem que é cobrado dos usuários. Ademais, a renovação da frota e a substituição dos ônibus por veículos novos, equipados com mais tecnologia embarcada, seguem regras contratuais e buscam melhorar a qualidade do material rodante colocado à disposição da população.
Por último, nenhum dos 53 ônibus das concessionárias incendiados no ano passado e, tampouco, qualquer um dos 59 veículos incendiados neste primeiro quadrimestre de 2014 tinham seguro contra incêndio ou contra perda total. Esse enorme prejuízo, que beira a casa dos R$ 55 milhões, tem sido arcado pelas empresas que, muito provavelmente, buscarão o devido ressarcimento junto ao Poder Público, mediante ações judiciais a serem, oportunamente, interpostas.
Sobre esse tema, cabe destacar que o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo – SPUrbanuss, juntamente com o Consórcio Metropolitano de Transportes – CMT e a Federação das Cooperativas de Transporte do Estado de São Paulo – FECOOTRANSP, resolveu patrocinar uma campanha de esclarecimento e conscientização da população, cujo mote é “Ônibus queimado não leva a lugar nenhum”. A campanha começou a ser veiculada, nesta semana, nas principais redes de TV e de rádio, em jornais de distribuição gratuita e no mobiliário urbano da cidade.
Ainda na linha das ilações e conclusões tendenciosas, o jornal O Estado de S. Paulo, edição de 20/04/14, publicou um editorial sob o título “Verdade sobre os ônibus”, que quanto à verdade dos fatos deixa muito a desejar. O editorialista demonstra uma tremenda dificuldade em aceitar que o aumento de 14 milhões de viagens no sistema ônibus da capital, no primeiro trimestre deste ano, decorre das melhorias introduzidas, tanto pelo Poder Público, como pelas empresas concessionárias, com destaque para a implantação de vários quilômetros de faixas exclusivas, em quase todas as regiões da cidade. Para conferir mais credibilidade às suas afirmações, ele busca apoio em declarações do Arq. Flamínio
Fichmann que, com todo o respeito, trata-se de apenas mais uma opinião.
Mas, as dificuldades do editorialista em aceitar que algumas melhorias começam a ser percebidas pelos usuários do transporte por ônibus se manifestam de maneira mais pujante ao afirmar que, no que se refere à reorganização das linhas do sistema, “É uma medida de custo relativamente baixo e de grande alcance, há muito prometida, mas nunca adotada, porque não corresponde aos interesses das empresas concessionárias, que ganham muito com a situação atual.” E, continua: “As mudanças que têm sido feitas nas linhas, além de tímidas e sem base em estudos consistentes – se eles existem, onde estão? -, parecem corresponder mais aos interesses das empresas que aos dos passageiros. Pois é de estranhar que elas, que nunca morreram de amores pela reorganização das linhas, e sempre reagem quando se sentem contrariadas, venham aceitando bem as poucas mudanças feitas.” Quanta bobagem!
Somente as empresas concessionárias colocam em circulação, diariamente, mais de 8.100 ônibus, distribuídos em mais de 800 linhas, que disputam espaço no sistema viário com automóveis, caminhões e motocicletas e transportam cerca de 5,8 milhões de passageiros, todos os dias úteis da semana. Atualmente, tanto o Poder Público como as empresas não vêm medindo esforços para melhorar a qualidade dos veículos, para ampliar a oferta de lugares, para reduzir o tempo de viagem e para aprimorar, em vários aspectos, o serviço prestado à população.
A racionalização das linhas e a melhor distribuição da frota, para atender às demandas específicas, por região, por linha e por faixa horária é uma necessidade e uma oportunidade de melhorar a prestação do serviço, respeitando os desejos de deslocamento dos usuários. E, para dirimir qualquer dúvida, é, sim, medida que vem ao encontro dos interesses das empresas.
Apesar do notório compromisso de alguns articulistas com o transporte individual e da dificuldade de se conseguir opiniões verdadeiras, isentas e abalizadas, sobre a real situação do transporte por ônibus na cidade, não é hora de esmorecer e nem, muito menos, de dar ouvidos aqueles que não querem ou não podem mudar os seus discursos ou as suas opiniões.
* Francisco Christovam é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo – SPUrbanuss e membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia.
Em 24 de fevereiro deste ano, o jornal Gazeta do Tatuapé – Zona Leste publicou um artigo sobre incêndios em ônibus, assinado por Sérgio Carreiro de Teves, intitulado “Os ônibus é que são os culpados”, eivado de inverdades e ilações. Lá pelas tantas, diz o texto: “Será que não é de propósito que está ocorrendo isso? Será que não há um incentivo dos próprios empresários para forçar o governo a aumentar o preço das passagens? Ou o incentivo vem do governo para forçar os empresários a modernizar suas frotas. O fato é que as cenas se repetem todos os dias e não há qualquer atitude de quem quer que seja. Os empresários não tomam iniciativa e o governo através da polícia não prende ninguém. No final, tudo acaba só no prejuízo. Considerando que esses veículos estão assegurados (sic), nem os empresários perdem, só o seguro é quem paga o prejuízo e ele mesmo, também, se protege com o resseguro.” Quanta besteira!
Para quem não sabe, as empresas concessionárias que operam o transporte urbano por ônibus na cidade de São Paulo são remuneradas pelo serviço prestado com base no número de passageiros transportados e em uma tarifa de remuneração, que não tem nada a ver com o valor da passagem que é cobrado dos usuários. Ademais, a renovação da frota e a substituição dos ônibus por veículos novos, equipados com mais tecnologia embarcada, seguem regras contratuais e buscam melhorar a qualidade do material rodante colocado à disposição da população.
Por último, nenhum dos 53 ônibus das concessionárias incendiados no ano passado e, tampouco, qualquer um dos 59 veículos incendiados neste primeiro quadrimestre de 2014 tinham seguro contra incêndio ou contra perda total. Esse enorme prejuízo, que beira a casa dos R$ 55 milhões, tem sido arcado pelas empresas que, muito provavelmente, buscarão o devido ressarcimento junto ao Poder Público, mediante ações judiciais a serem, oportunamente, interpostas.
Sobre esse tema, cabe destacar que o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo – SPUrbanuss, juntamente com o Consórcio Metropolitano de Transportes – CMT e a Federação das Cooperativas de Transporte do Estado de São Paulo – FECOOTRANSP, resolveu patrocinar uma campanha de esclarecimento e conscientização da população, cujo mote é “Ônibus queimado não leva a lugar nenhum”. A campanha começou a ser veiculada, nesta semana, nas principais redes de TV e de rádio, em jornais de distribuição gratuita e no mobiliário urbano da cidade.
Ainda na linha das ilações e conclusões tendenciosas, o jornal O Estado de S. Paulo, edição de 20/04/14, publicou um editorial sob o título “Verdade sobre os ônibus”, que quanto à verdade dos fatos deixa muito a desejar. O editorialista demonstra uma tremenda dificuldade em aceitar que o aumento de 14 milhões de viagens no sistema ônibus da capital, no primeiro trimestre deste ano, decorre das melhorias introduzidas, tanto pelo Poder Público, como pelas empresas concessionárias, com destaque para a implantação de vários quilômetros de faixas exclusivas, em quase todas as regiões da cidade. Para conferir mais credibilidade às suas afirmações, ele busca apoio em declarações do Arq. Flamínio
Fichmann que, com todo o respeito, trata-se de apenas mais uma opinião.
Mas, as dificuldades do editorialista em aceitar que algumas melhorias começam a ser percebidas pelos usuários do transporte por ônibus se manifestam de maneira mais pujante ao afirmar que, no que se refere à reorganização das linhas do sistema, “É uma medida de custo relativamente baixo e de grande alcance, há muito prometida, mas nunca adotada, porque não corresponde aos interesses das empresas concessionárias, que ganham muito com a situação atual.” E, continua: “As mudanças que têm sido feitas nas linhas, além de tímidas e sem base em estudos consistentes – se eles existem, onde estão? -, parecem corresponder mais aos interesses das empresas que aos dos passageiros. Pois é de estranhar que elas, que nunca morreram de amores pela reorganização das linhas, e sempre reagem quando se sentem contrariadas, venham aceitando bem as poucas mudanças feitas.” Quanta bobagem!
Somente as empresas concessionárias colocam em circulação, diariamente, mais de 8.100 ônibus, distribuídos em mais de 800 linhas, que disputam espaço no sistema viário com automóveis, caminhões e motocicletas e transportam cerca de 5,8 milhões de passageiros, todos os dias úteis da semana. Atualmente, tanto o Poder Público como as empresas não vêm medindo esforços para melhorar a qualidade dos veículos, para ampliar a oferta de lugares, para reduzir o tempo de viagem e para aprimorar, em vários aspectos, o serviço prestado à população.
A racionalização das linhas e a melhor distribuição da frota, para atender às demandas específicas, por região, por linha e por faixa horária é uma necessidade e uma oportunidade de melhorar a prestação do serviço, respeitando os desejos de deslocamento dos usuários. E, para dirimir qualquer dúvida, é, sim, medida que vem ao encontro dos interesses das empresas.
Apesar do notório compromisso de alguns articulistas com o transporte individual e da dificuldade de se conseguir opiniões verdadeiras, isentas e abalizadas, sobre a real situação do transporte por ônibus na cidade, não é hora de esmorecer e nem, muito menos, de dar ouvidos aqueles que não querem ou não podem mudar os seus discursos ou as suas opiniões.
* Francisco Christovam é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo – SPUrbanuss e membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia.