Descarbonizar o transporte exige frota nova, contrato bem desenhado e base técnica, avalia ANTP
22/01/2026
Branco, superintendente da associação, afirma que custos das novas tecnologias impactam o sistema, mas diz que iniciativa do DETRO-RJ aponta caminhos viáveis para a transição energética
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A transição energética no transporte público deixou de ser apenas um objetivo de longo prazo e passou a integrar o centro das decisões regulatórias no Brasil. É nesse contexto que a ANTP decidiu apoiar institucionalmente o Fórum de Transição Energética do DETRO-RJ . Para a entidade, o evento representa um momento raro de convergência entre política pública, desenho contratual e viabilidade operacional, além de reforçar o papel histórico da ANTP como produtora de conhecimento técnico sobre os principais temas da mobilidade urbana - agora com foco crescente nas rotas de descarbonização do transporte coletivo.
Segundo o superintendente da ANTP, Luiz Carlos Néspoli, o Branco , a discussão sobre sustentabilidade passa, necessariamente, pela frota. " A qualidade do transporte público passa necessariamente, dentre outros fatores envolvidos na produção, também pela qualidade da frota" , afirma. Para ele, não há mais espaço para adiamentos. "Renovar a frota no Brasil é um imperativo" , diz, destacando que esse movimento precisa estar alinhado às transformações ambientais em curso. "A renovação tem que ser acompanhada também de uma transição para energias mais limpas ."
Branco reconhece, no entanto, que a incorporação de novas tecnologias traz desafios objetivos para o sistema. " Quando se trata de novas tecnologias, essa conta impacta no custo do transporte" , observa. Segundo ele, esse impacto " pode refletir na tarifa pública, fato que vem dificultando a implantação de uma matriz mais limpa " em diversos sistemas pelo país. É justamente esse impasse que, na avaliação da ANTP, precisa ser enfrentado de forma estrutural.
Nesse sentido, o superintendente vê no Fórum do DETRO-RJ um diferencial importante. " Com a medida adotada pelo DETRO-RJ, abrem-se novos caminhos ", afirma. Para Branco, o mérito da iniciativa está em vincular a agenda ambiental ao redesenho contratual e à sustentabilidade econômico-financeira do serviço. " Não se trata apenas de discutir tecnologia, mas de como ela entra no contrato e na operação real do sistema ", ressalta.
A posição da ANTP é sustentada por uma produção técnica acumulada ao longo dos últimos anos, voltada justamente a transformar a discussão ambiental em instrumentos práticos para gestores e operadores. " Nosso papel é sair do discurso e oferecer base técnica para decisões reais ", diz Branco, ao destacar os estudos elaborados pela entidade.
Entre os principais trabalhos está o Rotas Tecnológicas de Descarbonização do Transporte Público , disponível em
https://files.antp.org.br/2024/7/22/caderno-tecnico-29-rotas-tecnologidas-de-descarbonizacao-para-transporte-publico.pdf .
O documento, que integra a série de Cadernos Técnicos da ANTP, apresenta diferentes caminhos para a redução de emissões no transporte coletivo, comparando alternativas como eletrificação, biometano e soluções híbridas, sempre à luz das realidades operacionais brasileiras.
Outro estudo central é o Método de Cálculo da Prestação de Serviço por Ônibus Elétrico a Bateria , acessível em
https://files.antp.org.br/2023/10/30/metodo-de-calculo-da-prestacao-de-servico-por-onibus-eletrico-a-bateria.pdf .
O material detalha parâmetros técnicos e econômicos para o cálculo dos custos da operação com ônibus elétricos, incluindo frota, infraestrutura, energia e manutenção, oferecendo uma base concreta para modelagens contratuais e tarifárias.
Além da produção própria, a ANTP mantém cooperação técnica com outras entidades do setor, como a NTU, FNP, Fabus, Anfavea e outras, em estudos sobre renovação de frota, financiamento e impactos da transição energética para os operadores. Para Branco, esse conjunto de trabalhos reforça a necessidade de tratar o tema com método e planejamento.
Na avaliação do superintendente, o Fórum do DETRO-RJ simboliza o momento em que esse acúmulo de conhecimento encontra um processo regulatório concreto. Ao reunir poder público, operadores, indústria e especialistas, o evento cria um ambiente propício para que a transição energética deixe de ser apenas uma diretriz e passe a integrar, de fato, a estrutura do transporte público brasileiro.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes