Prefeitura de São Paulo empenha R$ 663,8 milhões em 2026 para pagar financiamentos de ônibus elétricos e obras de mobilidade

20/01/2026

Fonte: Diário do Transporte

Valores cobrem juros e amortizações de contratos com Banco do Brasil, BNDES e Banco Mundial ligados ao Programa Ônibus Elétrico e a obra de BRT na Zona Leste

A Prefeitura do Município de São Paulo , por meio da Secretaria Municipal da Fazenda, autorizou o empenho de R$ 663,87 milhões no orçamento de 2026 para o pagamento de amortização, juros e encargos de operações de crédito já contratadas. Os recursos estão ligados principalmente ao Programa Ônibus Elétrico e a obras estruturantes de mobilidade urbana, como o Corredor Aricanduva, com financiamentos junto ao Banco do Brasil, BNDES e ao Banco Mundial (BIRD).

Os despachos publicados não criam novos empréstimos. Eles reservam recursos orçamentários para cumprir contratos em vigor, garantindo previsibilidade financeira, evitando atrasos e assegurando a continuidade das políticas públicas de transporte e mobilidade.

Ônibus elétricos concentram a maior parte dos empenhos

A maior fatia dos empenhos está associada ao Programa Ônibus Elétrico , instituído pela Lei Municipal nº 17.254/2019, que sustenta a política de substituição gradual da frota a diesel por veículos de baixa ou zero emissão.

Somente para contratos com o Banco do Brasil , os empenhos somam cerca de R$ 178,8 milhões , referentes a operações de crédito firmadas em 2023 e 2024 , destinadas ao pagamento de juros e amortizações previstas para 2026.

Já o BNDES responde por um empenho de R$ 411,56 milhões , ligado ao Contrato de Operação de Crédito SF nº 04/23 , também voltado ao financiamento da eletrificação da frota municipal.

Corredor Aricanduva também entra na conta

Além dos ônibus elétricos, a Secretaria da Fazenda autorizou o empenho de R$ 73,52 milhões para despesas financeiras do contrato BIRD 9081-BR , firmado com o Banco Mundial . O financiamento está ligado ao Programa de Melhoria da Mobilidade Urbana Universal do Corredor Aricanduva , um dos principais projetos viários da Zona Leste da capital.

Entenda os empréstimos feitos pela prefeitura

Os empenhos autorizados para 2026 referem-se ao pagamento de parcelas de financiamentos já contratados, em dois eixos centrais da política municipal: eletrificação da frota de ônibus e infraestrutura de mobilidade urbana.

Ônibus elétricos: financiamentos em andamento

A transição energética da frota é sustentada por operações de crédito com bancos públicos:

Situação atual da frota elétrica

A última entrega relevante de ônibus elétricos na capital ocorreu em 17 de dezembro de 2025 , quando o prefeito Ricardo Nunes apresentou 140 novos veículos incorporados ao sistema.

Com essa entrega, São Paulo passou a contar com 1.149 ônibus elétricos em operação , sendo:

Apesar do avanço, o total ainda representa menos da metade da meta prevista para dezembro de 2024 . A substituição dos veículos a diesel ocorre de forma gradual , acompanhando os cronogramas das concessionárias e a implantação da infraestrutura de recarga nas garagens. A meta da Prefeitura é acelerar o processo até o fim de 2026 , ampliando a participação de veículos elétricos e reduzindo as emissões do transporte coletivo.

BRT Aricanduva: situação do projeto

O Corredor BRT Aricanduva prevê cerca de 13,6 quilômetros de via exclusiva , com estações acessíveis e integração com outros modais na Zona Leste. Em dezembro de 2025 , a Prefeitura assinou os pré-contratos com os consórcios vencedores dos quatro lotes da obra .

A formalização definitiva depende da apresentação das garantias de execução exigidas nos financiamentos internacionais. Com essa etapa concluída, a expectativa é de início efetivo das obras, encerrando um longo período de preparação técnica, licitações e desapropriações.

Empenho relativo ao contrato BRT Aricanduva:

Empenhos referentes a financiamentos do Programa Ônibus Elétrico

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes