SPTrans retoma licitação para requalificar Avenida Celso Garcia até a Aricanduva e implantar corredor binário de ônibus no Brás
27/08/2026
Obras abrangem os três trechos do eixo entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva; *Obra chegou a apenas 24,83% e foi paralisada*; propostas serão abertas em 5 de novembro de 2026
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A SPTrans (São Paulo Transporte) retomou nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, a licitação para uma ampla requalificação da Avenida Celso Garcia, um dos principais eixos de ônibus entre a zona leste e o centro da capital paulista. Diferentemente da contratação anterior, restrita ao primeiro trecho, a nova concorrência engloba os trechos 1, 2 e 3, entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva, e inclui a implantação de um corredor binário entre o Parque Dom Pedro II e o Largo da Concórdia. No sentido centro, os ônibus deverão utilizar a Rua do Gasômetro; no sentido bairro, a Avenida Rangel Pestana. As propostas serão recebidas e abertas em 5 de novembro de 2026, às 10h.
O projeto vai muito além da criação de espaço para ônibus. A documentação acumulada pela prefeitura prevê reconstrução integral de calçadas com acessibilidade, pavimento rígido na faixa destinada ao transporte coletivo, recuperação das demais faixas de circulação, modernização e elevação das paradas, nova sinalização, intervenções em drenagem, redes subterrâneas, iluminação e semáforos. A nova tentativa de contratação ocorre depois de uma trajetória marcada por projetos, licitação em 2023, contrato de quase R$ 73 milhões para o primeiro trecho, início de obras, avanço de apenas 24,83% e posterior paralisação diante de exigências do Iphan relacionadas aos antigos trilhos de bonde existentes sob a avenida e da necessidade de adequações ambientais e contratuais. A estimativa divulgada pela SPTrans na fase anterior era de aproximadamente 300 mil pessoas beneficiadas pelas intervenções.
Um corredor binário de ônibus é aquele em que os dois sentidos da operação são separados em vias diferentes, normalmente paralelas ou próximas.
No caso da Avenida Celso Garcia, a SPTrans prevê esse sistema entre o Parque Dom Pedro II e o Largo da Concórdia:
Depois, os fluxos voltam a se encontrar no eixo principal.
Isso é diferente de um corredor convencional, no qual os ônibus dos dois sentidos circulam pela mesma avenida, cada um em uma direção.
A solução binária costuma ser adotada quando uma única via não tem espaço suficiente para acomodar, com boa capacidade, faixas exclusivas nos dois sentidos. Ao dividir a operação entre duas ruas, é possível organizar melhor os ônibus, reduzir cruzamentos e conflitos, melhorar a fluidez e reservar mais espaço para o transporte coletivo.
O chamado corredor binário separa os sentidos de circulação dos ônibus em duas vias diferentes. Entre o Parque Dom Pedro II e o Largo da Concórdia, os coletivos que seguem para o Centro utilizarão a Rua do Gasômetro, enquanto os que vão em direção aos bairros circularão pela Avenida Rangel Pestana.
Um detalhe importante: "binário" não significa necessariamente duas faixas de ônibus lado a lado. Significa justamente o contrário: cada sentido é distribuído por uma via diferente.
Nova licitação amplia intervenção até a Avenida Aricanduva
A concorrência publicada nesta quinta-feira é mais abrangente que a licitação realizada em 2023.
O objeto agora compreende a elaboração dos projetos executivos e a execução das obras de requalificação de todos os três trechos entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva.
O regime escolhido é o de contratação semi-integrada, pelo menor preço global e com disputa fechada. Na prática, a futura contratada terá participação tanto no detalhamento executivo das soluções quanto na realização das intervenções.
A publicação oficial fixa 5 de novembro de 2026, às 10h, como limite para o recebimento das propostas e também para a abertura da sessão eletrônica.
Um ponto importante é que o aviso divulgado nesta quinta-feira não apresenta, no trecho publicado no Diário Oficial, o valor estimado da nova contratação. Por isso, não é correto utilizar como valor da obra atual os R$ 72,9 milhões do contrato de 2023: aquele montante correspondia apenas ao primeiro trecho e a um escopo anterior, enquanto o novo procedimento reúne os três segmentos, incorpora o corredor binário e considera as novas exigências técnicas, ambientais e arqueológicas.
O que está previsto para mudar para quem utiliza ônibus
A Celso Garcia é um eixo de grande concentração de linhas municipais da zona leste, servindo deslocamentos que atravessam bairros como Brás, Belém e Tatuapé e alimentam conexões com o centro.
A proposta atual busca atuar justamente em um dos maiores problemas do transporte por ônibus: a irregularidade da velocidade comercial provocada por congestionamentos, interferências nos pontos, pavimento deteriorado e conflitos com o tráfego geral.
Segundo o Programa de Metas atualizado pela prefeitura, a requalificação prevê a substituição do pavimento da faixa exclusiva de ônibus por pavimento rígido, mais resistente ao peso e à repetição das frenagens e acelerações dos coletivos. As faixas centrais destinadas aos demais veículos devem ser restauradas.
Também está prevista a modernização das paradas de ônibus, que deverão ser elevadas. A medida tende a reduzir a diferença de altura entre o piso do coletivo e a área de embarque, facilitando o acesso de idosos, pessoas com mobilidade reduzida, passageiros com deficiência, usuários com carrinhos de bebê e pessoas transportando bagagens.
A prefeitura prevê ainda reconstrução integral dos passeios com acessibilidade universal. Portanto, o benefício esperado não se restringe ao passageiro enquanto está dentro do ônibus: envolve também o caminho até os pontos e a circulação de pedestres ao longo da avenida.
Na contratação anterior, a SPTrans estimou que cerca de 300 mil pessoas poderiam ser beneficiadas pela requalificação da Celso Garcia, principalmente pela possibilidade de reduzir o tempo das viagens das linhas que percorrem o corredor.
Corredor binário vai separar os sentidos na região do Brás
Uma das principais novidades do novo edital é o corredor binário entre o Parque Dom Pedro II e o Largo da Concórdia.
O sistema binário utiliza vias diferentes para cada sentido de circulação.
Pelo desenho publicado pela SPTrans, no sentido centro os ônibus utilizarão a Rua do Gasômetro. No sentido bairro, a ligação será realizada pela Avenida Rangel Pestana. Depois do Largo da Concórdia, o sistema se integra ao eixo da Celso Garcia em direção à zona leste.
A solução é importante porque a região do Brás concentra tráfego intenso de ônibus, automóveis, caminhões, motocicletas e pedestres, além de forte atividade comercial. A separação física dos sentidos pode permitir uma organização mais clara da circulação dos coletivos e reduzir conflitos em um trecho historicamente complexo para a operação.
O desenho definitivo da circulação, entretanto, dependerá dos projetos executivos e da implantação das obras. O Diário Oficial desta quinta-feira não traz ainda um plano de alterações temporárias de linhas ou de pontos de ônibus durante a construção.
Georradar terá de identificar redes existentes no subsolo
Antes da retomada da concorrência, a SPTrans submeteu a documentação a consulta pública e recebeu questionamentos de empresas interessadas.
As respostas também foram publicadas nesta quinta-feira e revelam detalhes relevantes que não aparecem de forma evidente no resumo do edital.
Uma das questões envolve o uso de georradar, chamado tecnicamente de GPR, para localizar redes existentes sob a avenida.
A SPTrans determinou que todas as redes identificadas durante o levantamento deverão aparecer nos projetos executivos de remanejamento de interferências, mesmo quando não estiverem exatamente na profundidade das escavações inicialmente previstas.
Esse tipo de levantamento é especialmente importante em uma avenida antiga e densamente urbanizada como a Celso Garcia, cujo subsolo acumula redes de água, esgoto, drenagem, energia elétrica, telecomunicações e estruturas implantadas em diferentes épocas.
Uma identificação incompleta das interferências pode provocar paralisações, necessidade de mudança de projeto, aumento de custos e atrasos durante a execução.
Rede da Enel será enterrada mesmo onde pavimento já tiver sido refeito
Outro questionamento da consulta pública trata especificamente da infraestrutura para enterramento da rede da Enel.
As empresas perguntaram como os serviços deveriam ser realizados em locais nos quais pavimento e calçadas já tivessem sido executados por contratos anteriores.
A SPTrans respondeu que deverá ser utilizada a mesma metodologia dos demais trechos: abertura convencional da área, definida na resposta como método destrutivo, seguida pela recomposição integral do passeio e do sistema viário, inclusive da sinalização horizontal quando necessária.
Isso significa que determinadas áreas eventualmente já recuperadas poderão ter de ser novamente abertas para receber dutos e câmaras subterrâneas.
A documentação também determina a realização de testes em 100% dos dutos implantados nas redes subterrâneas de iluminação pública e sinalização semafórica.
Drenagem ganha importância por histórico de alagamentos
A drenagem é outro componente que pode ter impacto direto para moradores, comerciantes, pedestres e passageiros.
A região da Celso Garcia, especialmente nas proximidades da Avenida Salim Farah Maluf, registra problemas de acúmulo de água em períodos de chuva forte.
Em análise publicada pela própria prefeitura em 2026, a Subprefeitura da Mooca informou que o trecho entre a Salim Farah Maluf e a Rua Tuiuti necessita de intervenções na drenagem e destacou que o projeto de requalificação da Celso Garcia já contempla rede de drenagem ao longo da avenida. O Estudo de Viabilidade Ambiental havia sido aprovado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.
A prefeitura também informou que a execução depende de articulação entre SPTrans e Siurb por causa da necessidade de conexão com uma galeria de grandes dimensões existente sob a Avenida Salim Farah Maluf.
Para a população e os comerciantes, esse é um ponto relevante: alagamentos não afetam apenas o tráfego geral, mas podem interromper a circulação de ônibus, deteriorar mais rapidamente o pavimento e impedir o acesso seguro aos pontos e aos estabelecimentos.
Trilhos de antigos bondes ajudaram a travar obra anterior
Talvez o aspecto mais singular da requalificação da Celso Garcia esteja escondido sob o asfalto.
Há antigos trilhos de bondes no eixo da avenida.
A existência desse patrimônio levou o Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a exigir projeto específico e acompanhamento arqueológico para a retirada dos trilhos.
Documentação municipal de 2025 informa que a obra do primeiro trecho acabou paralisada para adequações contratuais decorrentes do plano de trabalho exigido pelo Iphan.
A questão continua presente no novo projeto.
Na consulta pública de 2026, uma empresa perguntou quem seria responsável pelos trilhos antigos encontrados durante as escavações. O termo de referência estabelece que esse material deverá ser levado a um pátio indicado pela SPTrans.
A empresa municipal respondeu que, depois de recebidos, a guarda e a gestão dos trilhos serão responsabilidade da própria contratante.
Portanto, a futura obra terá de conciliar a modernização de um corredor de ônibus com estruturas remanescentes de um sistema de transporte que marcou a história paulistana.
Contratada poderá propor soluções diferentes, mas SPTrans terá de aprovar
O modelo da nova concorrência abre espaço para inovações apresentadas pela futura construtora.
Durante a consulta pública, a SPTrans informou que soluções alternativas poderão ser propostas desde que representem pelo menos um dos seguintes resultados: redução de custos, aumento da qualidade, diminuição do prazo de execução ou facilitação da manutenção e da operação futura.
As propostas não serão automaticamente aceitas. Precisarão passar por avaliação técnica e aprovação formal da diretoria responsável da SPTrans.
Essa possibilidade ganha relevância porque o projeto reúne obras viárias, drenagem, instalações subterrâneas, calçadas, paradas, sinalização e interferências arqueológicas em um corredor já totalmente inserido na malha urbana.
Primeiro contrato custou R$ 72,9 milhões e abrangia somente até a Rua Bresser
O processo atual é resultado de uma sequência de tentativas de tirar a requalificação do papel.
Em 1º de setembro de 2023, a SPTrans abriu a primeira licitação de obras da Celso Garcia. Na ocasião, o objeto abrangia somente o trecho entre o Terminal Parque Dom Pedro II e o cruzamento com a Rua Bresser, incluindo a Parada João Boemer no sentido centro.
A concorrência foi concluída em outubro daquele ano e o Consórcio Celso Garcia JRC, formado por Jofege Pavimentação e Construção, REP Engenharia e Serviços e Construbase Engenharia, foi contratado por R$ 72.895.112,77.
O contrato foi assinado em 6 de novembro de 2023 e tinha prazo originalmente previsto até agosto de 2025.
Como mostrou o Diário do Transporte na época, o projeto previa pavimento rígido para a circulação dos ônibus, reconstrução de calçadas e melhoria das condições de acessibilidade nas paradas. A administração afirmava que não haveria necessidade de desapropriações nem remoção de árvores.
Relembre: SPTrans contratou em 2024 a supervisão das obras da Avenida Celso Garcia
Supervisão recebeu contrato de R$ 3,3 milhões
Paralelamente à obra, a SPTrans contratou o Consórcio CSI Supervisor, formado por Concremat Engenharia e Tecnologia, Setec Hidrobrasileira Obras e Projetos e Intertechne Consultores.
O contrato, de R$ 3.288.082,74, foi assinado em janeiro de 2024 para acompanhamento técnico do primeiro trecho.
Antes disso, em dezembro de 2023, houve uma etapa de inabilitação da proposta no processo licitatório de supervisão, situação posteriormente superada com a contratação do consórcio. O Diário do Transporte acompanhou as etapas do certame.
Obra chegou a apenas 24,83% e foi paralisada
A execução, entretanto, ficou muito distante da conclusão planejada.
Documento apresentado pela Secretaria Municipal de Mobilidade ao sistema de planejamento do Fundurb registrou que o primeiro trecho havia alcançado 24,83% de execução.
A prefeitura informou oficialmente que a obra estava paralisada para adequações contratuais conforme o plano de trabalho do Iphan.
O mesmo documento mostra o efeito financeiro da paralisação.
Havia R$ 29,6 milhões aprovados para o corredor, mas recursos adicionais aprovados em julho de 2025 não seriam executados naquele exercício e seriam novamente disponibilizados ao Fundo de Desenvolvimento Urbano. Naquela etapa, a secretaria apresentou valor proposto de R$ 4,6 milhões.
A situação chegou a provocar questionamentos no Conselho Gestor do Fundurb. Em reunião de 2025, um representante da sociedade civil registrou voto contrário e criticou a falta de clareza sobre o cronograma diante das exigências do Iphan.
Licenciamento ambiental ganhou uma nova frente em 2025
Em novembro de 2025, a SPTrans contratou a Multiplano Engenharia para desenvolver estudos e cuidar do licenciamento ambiental da requalificação da Avenida Celso Garcia.
O contrato foi de R$ 1.176.004,29 e tinha prazo inicialmente previsto até julho de 2026. Posteriormente, a SPTrans prorrogou os prazos de execução e vigência.
Em abril de 2026, o Estudo de Viabilidade Ambiental foi colocado em consulta pública.
Na ocasião, o Diário do Transporte mostrou que o estudo descrevia intervenções ao longo de aproximadamente 8,8 quilômetros entre o Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva e mantinha como diretriz a prioridade para o transporte coletivo, sem aumento da capacidade destinada ao automóvel e sem previsão de desapropriação ou supressão de vegetação.
Relembre: estudo ambiental da Celso Garcia foi colocado em consulta pública em abril de 2026
Documentos apresentam diferença entre 8,3 km e 8,8 km
Há uma diferença de extensão entre documentos públicos recentes.
O Programa de Metas municipal utiliza 8,3 quilômetros como referência para a requalificação da Avenida Celso Garcia e prevê três lotes: o primeiro entre Parque Dom Pedro II e Rua Bresser; o segundo avançando até a Avenida Salim Farah Maluf; e o terceiro chegando à Avenida Aricanduva.
Já o Estudo de Viabilidade Ambiental divulgado em abril de 2026 foi apresentado com extensão aproximada de 8,8 quilômetros.
O aviso da nova licitação publicado nesta quinta-feira não informa a quilometragem total. Define fisicamente o empreendimento como o conjunto dos trechos 1, 2 e 3 entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva.
Assim, até esclarecimento adicional da SPTrans, o limite geográfico da licitação é mais preciso que a comparação direta das duas medidas.
Meta da prefeitura prevê primeiro trecho pronto e início dos demais
No atual planejamento municipal, a Celso Garcia continua entre os projetos prioritários de mobilidade.
A prefeitura registra como ações estratégicas concluir o Lote 1, entre Parque Dom Pedro II e Rua Bresser, e iniciar os lotes 2 e 3, respectivamente até a Avenida Salim Farah Maluf e a Avenida Aricanduva.
Em documento apresentado anteriormente no âmbito do Programa de Metas, a administração dizia que os projetos estavam concluídos, os estudos ambientais em andamento e o plano de trabalho junto ao Iphan aprovado, preparando nova licitação para os lotes 1, 2 e 3. O cronograma indicava início das obras no segundo semestre de 2026.
A publicação desta quinta-feira concretiza justamente a etapa da nova concorrência.
Celso Garcia tem longa história de prioridade aos ônibus
A tentativa de dar maior velocidade aos ônibus na Celso Garcia é muito anterior ao projeto atual.
No início de 2008, a prefeitura implantou o chamado Expresso Celso Garcia, com operação de ônibus expressos e semi-expressos utilizando faixa reversível demarcada por cones nos horários de maior movimento.
Na época, três linhas expressas partiam dos terminais A.E. Carvalho, Aricanduva e Penha em direção ao Parque Dom Pedro II. Também foram criados serviços semi-expressos atendendo regiões como Itaim Paulista, Jardim Oliveirinha, Vila Mara, Jardim Camargo Velho e, posteriormente, Jardim Nazaré.
A operação utilizava 7,15 quilômetros da Avenida Celso Garcia e da Rangel Pestana e exigia mais de 160 agentes da SPTrans e da CET para montar diariamente a segregação com cones e sinalização móvel.
Mais de cinco mil passageiros utilizavam diretamente os serviços expressos. A prefeitura divulgava reduções de 15 a 35 minutos nos trajetos e, em alguns casos, ganhos ainda maiores após ajustes nas linhas.
O eixo já possuía naquela época 78 linhas e aproximadamente 350 ônibus por hora nos períodos de pico, segundo dados divulgados pela administração municipal.
Em 2018, configuração da avenida voltou a mudar
Dez anos depois, em julho de 2018, a CET implantou nova configuração no corredor Rangel Pestana/Celso Garcia.
Entre outras alterações, passou a haver circulação em mão dupla em segmentos das duas avenidas, com uma faixa para transporte coletivo e outra para os demais veículos.
A velocidade regulamentada foi definida em 40 km/h e foram implantados novos cruzamentos semaforizados em pontos da Rangel Pestana e da Celso Garcia.
A mudança também exigiu alterações em itinerários de linhas municipais na região do Brás e do Belém.
Corredor entrou formalmente nos programas de investimentos
Em 2021, a SPTrans já registrava a preparação dos documentos necessários para contratar a consolidação do projeto básico e o desenvolvimento do projeto executivo da requalificação da Celso Garcia.
Em 2023, o corredor passou a receber recursos dentro da estratégia municipal de novos corredores. O Fundurb destinou naquele ano aproximadamente R$ 3,37 milhões à iniciativa dentro do conjunto de projetos de mobilidade.
O projeto básico e executivo contratado em abril de 2022 foi considerado concluído em dezembro de 2023. A partir daí, porém, as descobertas e exigências relacionadas ao patrimônio arqueológico, somadas às etapas ambientais, alteraram o caminho originalmente planejado.
Cronologia da requalificação da Avenida Celso Garcia
2008 - Prefeitura coloca em funcionamento o Expresso Celso Garcia, com faixas reversíveis e ônibus expressos e semi-expressos para acelerar os deslocamentos entre a zona leste e o centro.
2018 - CET modifica a circulação na Rangel Pestana e Celso Garcia, implanta mão dupla em segmentos, reorganiza faixas de ônibus e cria novos cruzamentos semaforizados.
2021 - SPTrans registra a preparação da contratação dos projetos de requalificação da avenida.
12 de abril de 2022 - começa o contrato para consolidação dos projetos básico e executivo, posteriormente considerado concluído em dezembro de 2023.
1º de setembro de 2023 - SPTrans abre licitação para as obras do primeiro trecho, entre Parque Dom Pedro II e Rua Bresser.
10 de outubro de 2023 - Consórcio Celso Garcia JRC é homologado vencedor da obra.
6 de novembro de 2023 - contrato de R$ 72,895 milhões para execução do primeiro trecho é assinado.
23 de janeiro de 2024 - SPTrans assina contrato de R$ 3,288 milhões com o Consórcio CSI Supervisor para acompanhamento das obras.
2024 e 2025 - execução encontra entraves relacionados aos antigos trilhos, patrimônio arqueológico, Iphan, licenciamento e adequações do contrato.
2025 - prefeitura registra apenas 24,83% de execução do primeiro trecho e informa oficialmente que a obra está paralisada para adequações conforme plano de trabalho do Iphan.
19 de novembro de 2025 - contrato de R$ 1,176 milhão é firmado com a Multiplano Engenharia para estudos e licenciamento ambiental.
Abril de 2026 - Estudo de Viabilidade Ambiental é submetido a consulta pública, já considerando a requalificação até a Avenida Aricanduva.
15 de junho de 2026 - SPTrans publica prorrogação do contrato dos estudos e licenciamento ambiental.
30 de julho a 6 de agosto de 2026 - SPTrans recebe contribuições e questionamentos de interessados sobre a nova contratação dos três trechos.
27 de agosto de 2026 - empresa publica as respostas à consulta e retoma formalmente a licitação para os três trechos, incluindo o corredor binário entre Parque Dom Pedro II e Largo da Concórdia.
5 de novembro de 2026 - data marcada para recebimento e abertura das propostas da nova concorrência.
Obras devem trazer benefícios, mas construção terá impactos temporários
Para a população, o resultado pretendido é uma combinação de maior regularidade dos ônibus, pavimento mais adequado ao transporte pesado, pontos acessíveis, melhores calçadas, reorganização do espaço viário e infraestrutura urbana renovada.
A intervenção também pode reduzir gastos recorrentes de manutenção. O pavimento de concreto previsto para a área de circulação dos coletivos é mais resistente às deformações comuns em locais de frenagem, pontos e trechos de alta frequência de ônibus.
No período de obras, porém, uma intervenção dessa dimensão inevitavelmente exigirá cuidados operacionais. Escavações de redes, reconstrução de calçadas, implantação de pavimento rígido, drenagem, enterramento de infraestrutura e intervenções em paradas podem exigir bloqueios parciais, alterações temporárias de pontos e mudanças de circulação.
A SPTrans ainda não divulgou, no aviso desta quinta-feira, quais linhas poderão ter itinerários ou pontos provisoriamente modificados nem o faseamento detalhado das frentes de obra. Essas informações deverão ganhar importância antes do início efetivo dos serviços para que passageiros, moradores e comerciantes possam se programar.
A própria consulta pública mostra que a preocupação com a continuidade dos trabalhos foi incorporada ao contrato: diante de questionamento sobre eventuais atrasos na entrega de materiais de iluminação e sinalização semafórica, a SPTrans informou que mecanismos de mitigação estão previstos na matriz de riscos da contratação.
A concorrência de novembro, portanto, representa mais do que a retomada de uma obra. É uma nova tentativa de concluir um projeto de prioridade ao transporte coletivo que atravessa diferentes administrações, contratos e configurações operacionais e que voltou a ser redesenhado depois dos entraves encontrados no primeiro trecho.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes